Fim do Estado de Emergência dá ânimo ao empreendedorismo

Números da responsabilidade da consultora Informa D&B apontam para que a constituição de empresas cresceu 59% em maio face a abril, apesar de o comparativo com o mês homólogo do ano passado ser evidentemente desfavorável.

Cristina Bernardo

A constituição de novas empresas em Portugal cresceu 59% em maio deste ano face a abril, um valor que representa uma recuperação mas que está ainda bastante longe do verificado em período homólogo do ano passado. Segundo dados fornecidos pela consultora Informa D&B, em maio de 2020 foram criadas 1.883 novas empresas, número que se situara nos 1.186 no mês anterior.

A evolução semanal permite perceber uma queda muito acentuada na criação de empresas logo no início do Estado de emergência face aos números de 2019. “A esta descida segue-se uma subida logo a partir do início de maio, com a passagem ao Estado de calamidade. Durante o período de Estado de emergência, a média semanal na criação de empresas foi de 244; durante o Estado de calamidade foi de 467”, refere ainda a consultora em comunicado.

As empresas que pertencem aos setores mais afetados pela Covid-19 foram aqueles em que, quer em março, quer em abril, se sentiu mais acentuadamente o recuo na constituição de novas empresas, como seria de esperar. Mas foram também aqueles que registam maior crescimento logo após o Estado de emergência, que terminou no início de maio – o que de alguma forma é uma surpresa.

Para analisar mais profundamente os efeitos da Covid-19 no tecido empresarial, a Informa D&B desenvolveu um indicador de impacto setorial que permite classificar o grau de exposição de cada setor (alto, médio, baixo) e consequentemente de cada empresa.

De facto, e sob essa metodologia, foi exatamente nos quatro setores com mais empresas com ‘impacto alto’ que se registaram as quedas mais acentuadas em novas empresas durante o Estado de emergência face a 2019: transportes (menos 95%), alojamento e restauração (menos 81%), retalho (menos 79%) e serviços gerais (menos 84%).

Já em maio, alojamento e restauração e o retalho são os dois setores que “mostram sinais mais claros de alguma recuperação no que toca à criação de novas empresas. Alojamento e restauração regista 185 novas empresas e o retalho 235”, evidenciam os dados da Informa D&B.

Os valores relativos a encerramentos e a insolvências “são ainda pouco esclarecedores da situação real das empresas, visto que são processos mais demorados e, no caso das insolvência, envolvem a atividade dos tribunais, que foi também afetada pela Covid-19”. Em maio encerraram 749 empresas, número superior ao registado em abril (587), mas inferior ao mesmo mês em 2019 (1.192). Também em maio, houve 209 novos processos de insolvência, mais 38 do que em abril, mas também menos do que no mês homólogo em 2019 (227).

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