Assiste-se, presentemente, na realidade portuguesa, a uma situação de flagelo habitacional, que afecta, directamente, os homens e as mulheres da classe trabalhadora, que não conseguem obter uma habitação condigna para viver e criar os seus filhos. Igualmente, alguns jovens trabalhadores e de classes mais baixas estão na condição de reféns nas casas dos pais, adiando, assim, a sua independência enquanto sujeitos adultos.

Agora, muitas mulheres pobres e imigrantes depois do parto podem ser impedidas de sair da maternidade com os seus bebés porque não possuem uma habitação.

Face a essa crise na habitação, os sucessivos governos optaram por políticas públicas tímidas e selectivas para a satisfação do respectivo eleitorado, designadamente os jovens até os 35 anos. Mas, essas medidas são meros paliativos e não conseguem resolver um problema já estrutural.

Seria, pois, importante ter um governo consciente sobre a situação aguda que milhares de cidadãos estão a viver, por agora. Caso contrário, a situação agravar-se-á, como já acontece com o surgimento de bairros de barracas, onde as pessoas procuram obter um espaço sem condições sanitárias para viver.

A indignidade na habitação acaba por se traduzir num retrocesso democrático e afecta, directamente, a qualidade de vida das pessoas em Portugal. Além disso, agrava o fosso social e, sobretudo, económico entre as classes sociais favorecidas e desfavorecidas, representando, assim, uma imobilidade social em desfavor dos mais pobres, como são os imigrantes e não só.

Sem políticas públicas a favor de uma habitação acessível às classes sociais mais pobres e aos imigrantes, devemos esperar o surgimento de bairros de barracas como uma solução de sobrevivência e não uma escolha das pessoas, porque ninguém almeja viver numa condição de indignidade e sem perspectiva de futuro para as respectivas famílias.

É, por isso, que a campanha eleitoral para as legislativas deverá centrar-se, seriamente, na questão da habitação, que não é só um problema dos pobres, mas, sim, da sociedade portuguesa enquanto comunidade política.

Estamos juntos, estamos fortes na defesa de uma habitação digna porque sem casa não há futuro e sem futuro não há esperança para a constituição de uma comunidade política de pessoas com a devida dignidade.