FMI diz-se disponível para dialogar com novo governo argentino

Governo liderado pelo presidente cessante, Mauricio Macri, assinou no ano passado um acordo com o FMI para um empréstimo no total de 56.300 milhões de dólares (50.900 milhões de euros), dos quais já foram entregues 44.000 milhões.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) manifestou hoje a sua disponibilidade para dialogar com o novo governo da Argentina “quando for mais conveniente” para Buenos Aires e “sem condições prévias”.

“Estamos preparados para trabalhar com o presidente eleito, Alberto Fernández, e com a sua equipa quando for mais conveniente”, afirmou Gerry Rice, porta-voz do FMI em conferência de imprensa, acrescentando que ainda não foram avançadas datas para o envio de uma missão à Argentina.

O porta-voz indicou que não há “condições prévias” para conversar com o novo governo de Buenos Aires, ao ser questionado sobre uma possível renegociação da dívida da Argentina ao FMI.

O governo liderado pelo presidente cessante, Mauricio Macri, assinou no ano passado um acordo com o FMI para um empréstimo no total de 56.300 milhões de dólares (50.900 milhões de euros), dos quais já foram entregues 44.000 milhões.

Um desembolso de 5.400 milhões de dólares, previsto inicialmente para setembro, ficou congelado à espera das eleições presidenciais, que decorreram no final de outubro e tiveram como vencedor o peronista Alberto Fernández.

O presidente eleito foi um crítico desse acordo e tenciona renegociar com o FMI os prazos de devolução do empréstimo, sem, no entanto, ter adiantado pormenores das suas propostas.

A nova diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, já felicitou Fernández pela vitória e manifestou-se disponível para trabalhar com o novo governo e “enfrentar os desafios económicos” do país, que está em recessão há um ano e meio.

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