Forall Phones triplica vendas online, evita lay-off e mantém planos de expansão apesar da pandemia de Covid-19

Fechou 2019 com um volume de negócios de oito milhões de euros. Apesar da pandemia da Covid-19 as vendas online triplicaram para 450 mil euros e a startup de venda de telemóveis e computadores recondicionados da marca Apple mantêm planos de expansão para abrir a décima segunda loja. No segundo semestre deverá “acelerar” a internacionalização da marca.

Fundador e gestor da Forall Phones, José Costa Rodrigues | Foto cedida

Quase cinco anos depois da fundação da Forall Phones, a empresa de equipamentos recondicionados da marca Apple consolida a sua atividade e, apesar do atual contexto de incerteza económica, devido à pandemia da Covid-19, o fundador e gestor da startup, José Costa Rodrigues, aponta ao Jornal Económico um caminho risonho: vendas online triplicaram, o cenário de lay-off está a ser evitado e o plano de abrir a 12.ª loja será concretizado “em breve”.

“Os períodos de crise são, por si só, um filtro para as empresas que estão, ou não, capacitadas para responder a situações adversas”, afirma José Costa Rodrigues em conversa com o JE. O jovem empresário diz que o surgimento do surto epidemiológico da Covid-19 “foi um momento chave” e está confiante no futuro da Forall Phones, tendo em conta os números registados.

O negócio desta empresa cresceu 20% entre janeiro e março de 2020, o que para o gestor da Forall Phones é “um indicador satisfatório, considerando o impacto da pandemia”. O impacto da pandemia nas contas não é revelado, mas José Costa Rodrigues garante que a startup que criou em setembro de 2015 “realizou um primeiro trimestre sólido”.

A consolidação do negócio no primeiro trimestre deveu-se às vendas online, sobretudo, para países como Alemanha, Áustria, França, Itália e Espanha. Todas as vendas são concretizadas a partir de Portugal.

“Com os últimos indicadores favoráveis, acreditamos que continuaremos a crescer, especialmente graças à internacionalização online e à crescente força da marca na liderança da tecnologia recondicionada, por si só uma indústria em grande evolução”, diz José Costa Rodrigues.

Mas que indicadores favoráveis são esses? “As vendas pré-covid realizavam-se 85% em loja e apenas 15% no digital, sendo que com a grande mobilização realizada, fruto da inovação da ‘Live Store – loja por vídeochamada’, conseguimos literalmente inverter a distribuição, para 85% em online e 15% em loja (indicador 1 semana antes de temporariamente fecharmos 11 das 12 lojas), sem denotarmos quebra de volume global de vendas”, responde.

José Costa Rodrigues não mencionou valores. Mas numa nota enviada ao JE, antes da conversa com o jovem empresário, a Forall Phones tinha anunciado ter conseguido triplicar as vendas online: de 150 mil euros (os referidos 15%), as vendas online passaram a representar uma receita de 450 mil euros (85%) das vendas. Este forte impulso nas vendas em plena pandemia deveu-se, também ao arranque do segundo período escolar, em pleno regime de ensino à distância, com as famílias a terem de se reforçar com alguns novos equipamentos.

“[O reforço nas vendas online] foi a nossa primeira grande conquista nesta difícil fase, em que acelerámos um conjunto de inovações que tínhamos previstas para o ano de 2020, de forma a melhor responder ao desafio”, acrescentou o empresário.

Os números alcançados já em 2020 foram alimentados pelas contas de 2019, ano em que a Forall Phones fixou o seu volume de negócios em oito milhões de euros, “duplicando” os quatro milhões registados em 2018.

“Boa perfomance online” evita lay-off
A Forall Phones emprega a tempo inteiro “cerca de 90 trabalhadores”, além de uma rede 250 embaixadores da marca, constituída por estudantes universitários, que José Costa Rodrigues apelida de “Forall Family”. Questionado se o impacto da pandemia da Covid-19 poderá levar a empresa a recorrer aos regime de lay-off simplificado, o fundador da Forall Phones garante que não.

“Numa fase inicial, como qualquer empresa, tememos o pior e encarámos o lay-off como solução única para a sobrevivência. Dada a boa performance do online, a Forall procurou medidas de contenção menos agressivas, ao mobilizar colaboradores das lojas para a central [em Lisboa], com vista a apoiar a Live Store (que opera das 10h00 às 22h00), na logística, no apoio ao cliente, entre outras áreas”, explica ao JE.

“As medidas preparadas pelo governo têm de ser, ainda, aprimoradas, para se tornarem menos burocráticas, tangíveis, e efetivamente benéficas”, argumenta.

A deslocação dos trabalhadores de várias lojas para a sede da startup conduziu à criação de uma operação 100% digital, o que culminou na criação de um novo conceito de retalho para a Forall Phones, uma “Live store online”. Trata-se de uma loja online em tempo real, permitindo “uma experiência humana e personalizada” digitalmente.

“O processo ganha pela simplicidade: o cliente preenche um formulário, indica o produto em que tem interesse e a que horas gostaria de ser contactado. A Forall, prontamente, contacta e realiza uma vídeochamada em que, tal e qual como numa loja, um colaborador compara os vários modelos, explica as especificações e apoia no processo de compra”, explica José Costa Rodrigues.

“O tempo médio de uma chamada são 17 minutos e a taxa de conversão (o cliente que conclui a compra) é de 30%. São indicadores satisfatórios”, salienta.

A criação deste novo tipo de loja para a empresa portuguesa é um dos motivos que leva o jovem gestor a ver no atual contexto pandémico uma oportunidade. “Teríamos construído uma marca com confiança suficiente para o consumidor arriscar pelo online?
A resposta é um claro sim, pelo que mantemo-nos fiéis ao nosso plano original, até porque a internacionalização em processo é feita via eCommerce [comércio eletrónico], para mercados estratégicos, mais aptos ao comércio online e à consciência ambiental de comprar recondicionado”, sublinha.

Planos de expansão
O ponto da internacionalização do negócio é um dos planos de José Costa Rodrigues para a empresa que criou, ainda que a primeira experiência internacional – três lojas em Espanha, a primeira inaugurada em fevereiro de 2019, em Madrid, Espanha – “não foi um sucesso”.

“Entrámos demasiado cedo num mercado muitíssimo mais maduro e competitivo, em que os grandes players, como Amazon, atuavam online, pelo que não tinham estruturas físicas, como lojas, a pesar no balanço”, conta.

A solução para o jovem empresário foi “dar um passo atrás para poder dar dois à frente”. Regressou a Portugal e apostou na abertura de mais oito lojas no país. “Reforçámos a nossa quota de mercado”, refere.

Atualmente, a Forall Phones mantém atividade em Espanha “apenas a nível digital, com uma rentabilidade muito superior à operação baseada em lojas físicas”.

Mas objetivo de fazer crescer a empresa fora de Portugal não desapareceu. O empresário de 24 anos diz que o que aprendeu na primeira tentativa vai levar para uma nova vaga de expansão internacional, que pretende “acelerar no segundo semestre de 2020”.

Ainda assim, antes de voltar ao exterior, o foco está na abertura da 12.ª loja em Portugal, que será “em breve na região norte”.

Instado a criar o cenário do futuro do mercado de equipamentos recondicionados, José Costa Rodrigues conclui: “No caso da Forall, acreditamos que a tecnologia topo de gama é hoje um bem essencial para qualquer pessoa ou empresa, enquanto veículo de comunicação, trabalho ou lazer.  Assim, não se deixará de consumir este segmento, mas sim repensar a compra do “último modelo”, para o “penúltimo, ou antepenúltimo”, recondicionado, preterindo “ligeiros updates dos novos modelos” a uma redução no preço que pode ir até aos 50% do valor em novo. Os recondicionados encaixam na escolha inteligente, sustentável financeira e ecológicamente, ao incentivar-se a economia circular destes equipamentos”.

 

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