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FPF trabalha com o Governo para reduzir custos de contexto

Pedro Proença quer menos impostos para que o futebol português seja mais competitivo. Na época passada, os clubes pagaram quase 270 milhões ao fisco. Plano também ambiciona vitória no Mundial.
6 Março 2026, 07h29

O futebol português está a preparar-se para uma nova era e, nos próximos anos, vai procurar ser mais competitivo, partir à conquista de mercados estratégicos, internacionalizar-se à boleia do Mundial 2030 e da marca CR7 e procurar, junto do Governo, um enquadramento fiscal que possa estimular a competitividade da Liga num contexto europeu, onde a concorrência é cada vez mais difícil de bater.
Com um ano de presidência, a nova direção da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), liderada por Pedro Proença, já definiu o caminho através do plano estratégico delineado em parceria com a consultora EY e que tem como objetivo a redefinição do futebol em Portugal.
O “plano de jogo” está assente em 10 eixos estratégicos que passam por uma nova governação; reforma da disciplina e justiça; projeção da marca FPF; Mundial 2030; afirmação do futebol feminino; revolução na arbitragem; sustentabilidade e competitividade no futebol; plataforma de conhecimento e inovação; da base às seleções de excelência e uma Federação ao serviço da comunidade.
“É um documento único, estrutural e preponderante para o desenvolvimento do futebol português”, diz Helena Pires, CEO da FPF, ao Jornal Económico.
Destaca que a centralização dos direitos televisivos “será um game changer de todo este negócio do futebol português”, assim como a melhoria das infraestruturas que potencia a atração de mais adeptos, algo que também terá de contribuir para a valorização do produto.
Helena Pires considera que existe uma agregação dos clubes em torno de um “bem maior” que vai “alavancar” e dar outra dimensão ao futebol português.

EUA e Arábia: aí vamos nós
A FPF não faz a coisa por menos: quer ser a quinta maior marca desportiva mundial. Esse é um dos objetivos vertido neste plano. Quer aprofundar a sua presença em mercados como o norte-americano, árabe e lusófono, e até 2036 definiu o objetivo de atingir 70 milhões de euros em receitas de patrocínios, licenciamentos e merchandising.
Uma das ações previstas é a exportação da conferência Portugal Football Summit, com uma cadência semestral, e que a mesma possa vender e promover o futebol português além-fronteiras, com especial ênfase para os destinos definidos agora como mercados estratégicos. “Temos de ser arrojados. Temos toda a esperança de vencer o Mundial”, diz, apontando o valor que isso representa para marcas associadas, como a fabricante de artigos desportivos Puma ou a transportadora aérea TAP.
Para fazer este caminho, a FPF conta com a ajuda de Cristiano Ronaldo, já que, no entender de Helena Pires, a marca CR7 “é imbatível” e o capitão da seleção de futebol “é o nosso maior embaixador”.
A redução de custos de contexto, que passam por impostos como o IVA, IRS e IRC, assim como prémios de seguros, são uma das grandes bandeiras da FPF neste plano estratégico. Na época 2024/25, de acordo com o anuário da EY, a indústria do futebol gerou mais de 662 milhões de euros para o produto interno bruto português e pagou 268 milhões de euros em impostos. Perante aquilo que a FPF designa de “desajustamento dos quadros competitivos face à realidade económica de muitos clubes”, acaba por ser uma intensificação da pressão sobre orçamentos desde logo altamente limitados.
Nesse sentido, a FPF quer apoiar os seus associados no sentido de “fortalecer a resiliência financeira” e dá como exemplo as candidaturas a fundos comunitários ou o apoio ao futebol não profissional decorrente das receitas da centralização dos direitos audiovisuais. Independentemente destas iniciativas, a FPF coloca enorme ênfase na redução dos custos de contexto que “pesam sobre clubes e associações”, com recurso à capacidade de influência política.
“Temos uma boa relação com o Governo e estamos a trabalhar com o Governo na redução dos custos de contexto, porque vão potenciar aquela que é a nossa competitividade”, revela Helena Pires ao JE.


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