França e Alemanha querem que Irão liberte de imediato petroleiro capturado

O navio Stena Impero, de pavilhão britânico, está no porto de Bandar Abbas, no estreito de Ormuz, com os 23 tripulantes no seu interior por motivos de segurança, de acordo com os responsáveis iranianos.

A França e a Alemanha exortaram este sábado as autoridades iranianas a libertarem o petroleiro britânico que capturaram na sexta-feira no estreito de Ormuz.

Num comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros divulgado hoje o Governo francês pede às autoridades iranianas que “libertem o mais rápido possível” o petroleiro.

“Apelamos às autoridades iranianas a que libertem o mais rápido possível o navio e a sua tripulação, e respeitem os princípios da liberdade de navegação no Golfo”, diz-se no comunicado.

Também num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Alemanha diz ao Irão que tem de libertar “sem demora” o petroleiro britânico.

“Exigimos ao Irão a libertação imediata” do navio britânico e da sua tripulação, no qual se alerta para os perigos de uma “nova escalada” na região.

Na sexta-feira, os Guardas da Revolução iranianos anunciaram que tinham “confiscado” um petroleiro britânico, o “Stena Impero”, no estreito de Ormuz, por, disseram, “não respeito do código marítimo internacional”.

O anúncio deixou as autoridades britânicas em alerta e os Estados Unidos denunciaram a “escalada de violência” do Irão, com Donald Trump a sublinhar que esta é a segunda vez em menos de uma semana que o Reino Unido é alvo de violência do regime iraniano.

Autoridades locais do Irão disseram mais tarde que a captura do petroleiro se deveu a um choque “com um barco de pesca”.

“O petroleiro chocou com um barco de pesca durante a sua rota e depois desse incidente era necessário perceber os motivos”, justificou Alahmorad Afifipur, diretor da Organização de Portos e Navegação da província iraniana de Hormozgan.

Mas hoje uma autoridade do Governo iraniano disse que a captura do petroleiro foi uma resposta ao papel da Grã-Bretanha na captura de um superpetroleiro iraniano há duas semanas.

O porta-voz do Conselho dos Guardiões do Irão, Abbas Ali Kadkhodaei, ciado pela agência de notícias semioficial Fars, disse que “a regra da ação recíproca é bem conhecida no direito internacional” e que o Irão se confronta com uma “guerra económica ilegitima” e a apreensão de petroleiros “é um exemplo desta guerra e baseia-se no direito internacional”.

O Conselho raramente comenta assuntos do Estado, mas quando o faz é visto como um reflexo das opiniões do líder supremo, o aiatola Ali Khamenei.

O navio Stena Impero, de pavilhão britânico, está no porto de Bandar Abbas, no estreito de Ormuz, com os 23 tripulantes no seu interior por motivos de segurança, de acordo com os responsáveis iranianos.

De acordo com a navegadora Stena Bulk, proprietária do petroleiro, o contacto com a embarcação foi perdido pelas 15:00, depois de receber um aviso de que várias embarcações e um helicóptero se aproximavam do Stena Impero em águas internacionais.

Um porta-voz da companhia afirmou que o petroleiro estava em “cumprimento integral com todos os regulamentos internacionais e de navegação”, de acordo com a AP.

Já hoje o Reino Unido recomendou que os navios britânicos permaneçam “fora da zona” do estreito de Ormuz durante um “período provisório”.

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