França mantém intenção de aumentar impostos sobre os combustíveis

O anúncio foi feito hoje de manhã pelo porta-voz do Governo francês, Benjamin Griveaux, numa conferência de imprensa após a reunião do Conselho de Ministros.

As autoridades francesas mantêm a intenção de aumentar os impostos sobre os combustíveis, apesar dos protestos do coletivo “coletes amarelos”, que no sábado protagonizou graves confrontos com a polícia em Paris, anunciou hoje fonte oficial.

O anúncio foi feito hoje de manhã pelo porta-voz do Governo francês, Benjamin Griveaux, numa conferência de imprensa após a reunião do Conselho de Ministros.

O Presidente Emmanuel Macron disse na ocasião estar ciente do desconforto que há por “uma França que não encontrou o seu lugar na globalização”, e que, entre outras coisas, sofre pela desindustrialização de algumas regiões.

Griveaux disse que o Governo convocou uma cimeira para terça-feira sobre a transição ecológica, na qual se espera que se aborde uma ampla gama de questões relacionadas com a energia e transportes.

Os “coletes amarelos” são um movimento que surgiu à margem dos partidos e sindicatos, e que inicialmente protestaram contra o aumento dos combustíveis mas depois alargou o descontentamento em relação a várias medidas do Presidente francês, Emmanuel Macron.

Uma delegação de oito pessoas do movimento foi entretanto criada para “realizar contactos sérios e necessários com os representantes do Estado e do seu Governo e levar uma série de reivindicações”, declarou o movimento num comunicado hoje divulgado.

Na reunião de hoje de manhã, o Conselho de Ministros aprovou um projeto de lei de Orientação da Mobilidade, que prevê o aumento do investimento para a manutenção das redes rodoviárias e ferroviárias, em paralelo renunciando à construção de novas grandes infraestruturas.

A ministra dos Transportes, Elisabeth Borne, detalhou algumas das medidas incluídas, como um investimento de 2.600 milhões de euros para aumentar a oferta de comboios onde há mais necessidade e a implantação de frotas de veículos elétricos em áreas com problemas de oferta dos transportes públicos.

A iniciativa do Governo também suporta em até 400 euros por ano aqueles que viajam para o trabalho de bicicleta ou partilham o carro.

Além disso foi adiada a introdução de um imposto a camiões que utilizam as estradas sem portagens, que o Governo pretende taxar em especial as transportadoras estrangeiras.

A ministra justificou o atraso com o fundamento de que o financiamento para infraestruturas em 2017 já está coberto com o Orçamento aprovado para esse ano e acrescentou que “não é bom se apressar”, mas “pensar” e tentar encontrar um consenso.

De qualquer forma, acrescentou que 500 milhões de euros por ano serão necessários a partir de 2020 para o setor.

Para fazer face à manifestação de sábado, em Paris, a polícia usou no sábado 5.000 granadas de gás lacrimogéneo e os bombeiros extinguiram “mais de uma centena de incêndios”.

O número de vítimas é de 31 pessoas feridas, 24 entre os manifestantes, um mais seriamente na mão – provavelmente por querer pegar uma granada – e sete entre a polícia, dos quais um ficou gravemente ferido”, sublinhou o chefe da polícia de Paris.

A procuradoria de Paris confirmou hoje a detenção de 28 “coletes amarelos” e anunciou que 47 das 103 pessoas detidas nos incidentes de sábado na capital francesa já foram ouvidas por juízes.

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