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Fusões e aquisições na banca atingem 212 mil milhões e Portugal será empurrado para fusões

O mercado global de fusões e aquisições (M&A) no setor bancário entrou numa nova fase de consolidação estratégica. A Bain & Company revela que em Portugal, um mercado caracterizado por elevada concentração e pressão sobre as margens, a lógica de “dupla hélice” poderá ganhar relevância nos próximos anos.
9 Março 2026, 12h44

O mercado global de fusões e aquisições (M&A) no setor bancário registou um forte crescimento em 2025, atingindo um volume total de 212 mil milhões de dólares. De acordo com um relatório recente da consultora Bain & Company, esta expansão marca o início de uma nova fase de consolidação estratégica, onde a combinação de escala e diversificação se revela chave para gerar valor e impulsionar a inovação.

Segundo o mais recente relatório da Bain & Company, o setor superou o período de incerteza regulatória e macroeconómica, acelerando em 2025 com uma abordagem inovadora: a estratégia de “dupla hélice”.

Este novo paradigma substitui o antigo modelo de crescimento isolado. Se, até ao início da década, os bancos escolhiam entre ganhar escala ou procurar diversificação tecnológica, o cenário atual exige a combinação de ambos.

O estudo destaca esta estratégia da “dupla hélice”, em que os bancos integram ganhos de dimensão com o reforço de capacidades tecnológicas e a expansão para novos serviços. As operações que adotaram esta abordagem integrada apresentaram, em média, um desempenho 30% superior em termos de valorização para os acionistas, comparativamente às que se focaram apenas numa das dimensões.

Esta tendência reflete uma evolução face aos anos anteriores, quando as aquisições eram mais isoladas: ou centradas na eficiência operacional através da escala, ou na aquisição de competências digitais e talento.

Em Portugal, o relatório antecipa que esta dinâmica ganhe relevância estratégica a curto prazo. Num mercado já concentrado, a pressão sobre as margens e a concorrência das fintechs deverão empurrar as instituições financeiras para movimentos de consolidação que priorizem a modernização digital e a eficiência estrutural, garantindo assim a criação de valor num contexto de estabilização das taxas de juro.

A Bain & Company revela que em Portugal, um mercado caracterizado por elevada concentração e pressão sobre as margens, esta lógica de “dupla hélice” poderá ganhar relevância nos próximos anos. A necessidade de aumentar a eficiência, acelerar a transformação digital e enfrentar a concorrência de fintechs e novos players europeus coloca o tema das fusões novamente no centro das discussões no setor.

“A próxima fase de consolidação bancária não será apenas sobre dimensão, mas sobre a capacidade de integrar tecnologia, talento e novos modelos de negócio. É essa combinação que está a distinguir as operações que geram mais valor”, afirmou Francisco Montenegro, sócio da Bain & Company, em declarações citadas no relatório.

Após um abrandamento em anos anteriores, motivado por incertezas regulatórias e macroeconómicas, o mercado recuperou em 2024 e acelerou em 2025, segundo o relatório da Bain que explica que a estabilização das taxas de juro, a melhoria das margens financeiras e o reforço dos rácios de capital criaram condições favoráveis para estas decisões estratégicas.

“Após um período marcado por volatilidade regulatória e incerteza macroeconómica, a estabilização do ciclo de taxas de juro, a melhoria das margens financeiras e o reforço dos rácios de capital voltaram a criar espaço para decisões estratégicas de consolidação no setor bancário”, acrescentou Francisco Montenegro.

Esta tendência é particularmente visível na Europa, onde os bancos têm demonstrado maior eficiência de custos e aproveitamento de sinergias operacionais do que os seus congéneres norte-americanos. Os bancos europeus demonstraram maior eficiência de custos do que os norte-americanos, beneficiando de sinergias operacionais e tecnológicas. Exemplos recentes incluem a fusão entre o CaixaBank e o Bankia em Espanha, ou a aquisição da LeasePlan pela ALD (agora Ayvens), que ilustraram a combinação de escala com diversificação de serviços – uma abordagem que o relatório da Bain identifica como estrutural para a nova vaga de M&A.

O sucesso destas operações depende da identificação de sinergias alinhadas com a visão de crescimento de cada banco, garantindo uma integração eficiente e retornos para todas as partes envolvidas. O relatório sublinha que o foco deve estar na criação de novas alavancas de crescimento, como a modernização digital e a incorporação de analytics e pagamentos integrados.


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