Fusões na banca

A concentração no setor bancário parece ser cada vez mais um imperativo. Os bancos portugueses terão de passar por este processo. Resta saber se de livre vontade ou à força.

A concentração no setor bancário parece ser cada vez mais um imperativo de mercado e do próprio BCE. Os bancos portugueses terão certamente de passar por este processo. Resta saber se de livre vontade ou à força.

Esta semana foi fértil em notícias acerca do setor bancário europeu. Em Espanha, o CaixaBank e o Bankia terão já chegado a acordo para uma fusão. O Caixabank tem vindo ao longo dos anos a integrar vários bancos ibéricos de menor dimensão, nomeadamente o BPI em Portugal. E o próprio Bankia, nasceu da consolidação de 7 bancos regionais. Caixabank e Bankia terão chegado à conclusão que a única estratégia para não serem absorvidos por entidades externas e para poderem competir com os gigantes Santander e BBVA teria de passar por uma união.

Na Suíça, a UBS e o Credit Suisse estão também a estudar uma operação de fusão, que seria das maiores de sempre no setor. Ainda que não seja nada certa a sua concretização, mostra bem a vontade e a necessidade de as instituições bancárias aumentarem de dimensão.

Em Portugal, tudo parece mais difícil. Se é certo que Santander e BPI já estão integrados em grandes bancos europeus, outras instituições ou aumentam de dimensão ou podem estar condenadas a dificuldades operacionais, financeiras e até regulatórias. No entanto, parece haver dificuldades em gerar entendimentos, nuns casos devido aos acionistas de referência, noutros pela composição do ativo, noutros por fragilidade do modelo de negócio. Esperemos que a concentração não seja feita “à força”, como aconteceu nos casos do Banif ou do Popular, mas irá certamente acontecer.

Recomendadas

O que esconde a Covid?

A Covid chegou no momento certo para um Governo que a aproveita ao máximo para amedrontar a população e assim, passo a passo, ir tomando conta das instituições.

Mecenato cultural extraordinário de 2021, a cultura aos privados?

Estamos perante uma prova de confiança deixada aos privados, que terão (ou não) de demonstrar recetividade às novas medidas.

Da prudência e do bom senso

Em toda a Europa se verifica um acentuado aumento de novos casos de infecção e Portugal não foge à regra. A pergunta que faço a mim próprio é: como posso fazer parte da solução?
Comentários