Galp: Carlos Gomes da Silva deixa presidência. Andy Brown vai liderar

Depois de assumir a presidência em 2015, o gestor esteve menos de seis anos na liderança da petrolífera portuguesa. No seu currículo, o britânico Andy Brown conta com passagem pela comissão executiva da Royal Dutch Shell.

Carlos Gomes da Silva vai deixar a presidência da petrolífera Galp, anunciou hoje a empresa. O gestor esteve menos de seis anos no cargo, depois de assumir a liderança em abril de 2015. Gomes da Silva, 53 anos, era membro do conselho de administração da Galp desde 2007.

O gestor vai ser substituído na liderança por Andy Brown que conta com mais de 35 anos “de experiência no sector da energia reconhecido pelo seu perfil de liderança dinâmica, foco na performance, segurança, bem-estar e desenvolvimento de pessoas”, segundo a empresa.

O gestor saiu da Shell em 2019, tendo depois assumido funções de vice-presidente na SBM, Consultor Sénior na Mckinsey e Co., consultor na JMJ, e consultor na ZeroAvia, uma empresa startup de hidrogénio/células de combustível para aviação”.

A Galp anunciou hoje que Carlos Gomes da Silva “apresentou hoje a sua renúncia aos cargos de vice-presidente do conselho de administração e presidente da comissão executiva da Galp e aos demais cargos de administração exercidos pelo mesmo em sociedades ou entidades participadas pela Galp”.

Conforme explicado no comunicado, a “intenção de apresentação da referida renúncia foi oportunamente consensualizada” Carlos Gomes da Silva e a presidente do conselho de administração Paula Amorim “assegurando as condições para uma transição estruturada e com plena normalidade de funcionamento dos órgãos de governo da Galp”.

“O Conselho de Administração da Galp agradece ao senhor engenheiro Carlos Gomes da Silva os importantes serviços prestados à Galp ao longo de cerca de 14 anos no exercício de funções de gestão executiva, fazendo votos de continuados sucessos profissionais”, segundo o comunicado.

Carlos Gomes da Silva vai manter-se em funções até 19 de fevereiro, “colaborando com a Galp para que o processo de passagem de testemunho para o novo vice-presidente do conselho de administração e presidente da comissão executiva decorra de forma qualificada”.  Mais tarde, a decisão será submetida a ratificação pelos acionistas da empresa na próxima assembleia-geral.

As ações da Galp fecharam esta terça-feira a subir 3,15% para 9,51 euros, mas são o ‘lanterna vermelha’ do PSI 20 no último ano, com um tombo de 38,90%, num período em que o índice nacional recuou 8,83% e o sectorial Stoxx Europe 600 Oil & Gas perdeu 19,87%.

O ano de 2020 foi marcado pelas quedas na ação e também pelos prejuízos causados pela pandemia de Covid-19 e a quebra na procura e um contexto de descidas nos preços do petróleo. A Galp registou 23 milhões de euros de prejuízo no terceiro trimestre, valor que contrasta com os 101 milhões de lucros registados em período homólogo, No total dos nove primeiros meses do ano, passou de um lucro de 403 milhões de euros em período homólogo para um prejuízo de 45 milhões.

Praticamente no final do ano, a 21 de dezembro, a empresa anunciou que vai encerrar a refinaria de Matosinhos, distrito do Porto e que vai passar a concentrar as suas operações em Sines, distrito de Setúbal. “Após uma rigorosa avaliação de alternativas, a Galp irá concentrar as suas atividades de refinação e desenvolvimentos futuros no complexo de Sines e descontinuar as operações de refinação em Matosinhos a partir de 2021”, afirmou na altura.

A decisão provocou um tombo de 5,76% nas ações no dia do anúncio e também protestos de várias fontes, nomeadamente os trabalhadores, partidos políticos de todo espectro, com o Governo a gerir a situação, dizendo que quer “encontrar soluções”. A Galp, no entanto, mantém a mensagem, dizendo que a decisão é irreversível.

O tema vai chegar ao Parlamento esta quarta-feira, com audições do presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Luísa Salgueiro, e um membro da conselho de administração da Galp, a definir.

Licenciado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Carlos Gomes da Silva entrou na Galp na década de noventa onde desempenhou várias funções. Em 2001, saiu para a Unicer onde atingiu o cargo de administrador executivo. Em 2007, regressou à Galp como administrador executivo com responsabilidade sobre áreas de distribuição e comercialização de produtos petrolíferos, gás natural e eletricidade, trading de petróleo e gás natural.

A maior acionista da Galp é a Amorim Energia, com uma participação de 33,34%. A Amorim Energia tem a sua sede nos Países Baixos e os seus acionistas são a Power, Oil & Gas Investments BV (com 35% do capital), a Amorim Investimentos Energéticos SGPS S.A. (20%) e a Esperaza Holding BV (45%). Enquanto a última sociedade é controlada pela Sonangol, E.P., empresa estatal angolana do sector petrolífero, as duas primeiras são controladas direta e indiretamente pela família Amorim. O Estado português ainda detém uma participação de 7,48% na empresa, através da Parpública. O único outro acionista qualificado, segundo o site da Galp, é a Massachusetts Financial Services Company, com 5,02%.

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