É um novo gigante energético europeu. A Galp passou os Pirinéus e vai à conquista da Europa.
A fusão entre a Galp e a Moeve vai dar origem a uma empresa com 3.500 postos de abastecimento em Portugal e Espanha e vai ter a capacidade para processar 700 mil barris diários de petróleo e combustíveis.
A Galp e os espanhóis da Moeve vão juntar esforços para criar uma grande rede ibérica de postos de combustível. Ao mesmo tempo, criam um dos maiores grupos a nível europeu em termos de refinação, isto é, a produção de combustíveis a partir de petróleo.
A fusão de negócios entre a portuguesa Galp e a espanhola Moeve tem o potencial para gerar receitas na ordem dos 2,8 mil milhões de euros, uma estimativa feita pelo JE tendo em conta os EBITDA das unidades de negócios em causa durante o ano de 2024.
“O negócio tem várias mais-valias: em termos de escala, em termos de possibilidade de otimizar investimentos, em termos de foco, mas também em termos de uma estrutura de negócio que torna bastante mais clara a atividade nestes dois setores”, disses ao JE a co-CEO Maria João Carioca.
Sobre a Moeve, a a gestora disse que este “parceiro” tem uma visão “comum com a da Galp em muitos aspetos”, tendo também em curso “investimentos que são muito complementares aos nossos. Traz futuro aos nossos ativos. Essa é de longe a mais valia que vemos neste negócio”.
A Moeve é a antiga Cepsa, fica sediada em Madrid, e é controlado pelos emiratis da Mubadala (67%) e pelos americanos do Carlyle Group (33%).
Na rede de estações de serviço, vai ser criada a sociedade RetailCo, com as duas companhias a deterem participações iguais numa unidade que vende 6,5 milhões de toneladas de combustíveis por ano.
Na refinação, vai ser criada a a IndustrialCo, onde a Galp fica com 20%, que junta a refinaria de Sines com as duas refinarias andaluzas da Moeve – Huelva e Cadiz -, assim como as novas unidades de baixo carbono: hidrogénio verde e biocombustíveis rodoviários e de aviação.
Isto significa que a maior exportadora nacional, a refinaria de Sines, vai ficar dentro de uma empresa controlada a 80% pelos espanhóis da Moeve.
Já os projetos de expansão da refinaria de Sines (hidrogénio verde e biocombustíveis na ordem dos 650 milhões) são para manter, garantiu João Diogo Marques da Silva. “Estes projetos têm um andamento, um calendário, um plano concreto que prevê a entrega das unidades ao longo deste ano e no início do próximo. Temos um parceiro de referência: o compromisso mantêm-se. A componente industrial desta transação só reforça a importância deste projeto”, defendeu o co-CEO.
A Galp conta com a Amorim Energia (37%) como principal acionista, participação detida em 55% pela família Amorim e em 45% pela petrolífera estatal angolana Sonangol. Mas o Estado português continua a deter uma participação na companhia, acima dos 8%.
De fora ficam os ativos de exploração de petróleo da Galp, assim como a venda de eletricidade e de gás e o negócio de trading.
A expetativa é que o negócio esteja fechado em meados deste ano, sendo necessárias as devidas autorizações regulatórias.
“O negócio faz sentido. Fica como um dos maiores operadores europeus de refinação”, disse ao JE o analista Mário Martins. da norte-americana D.O.R.A.
Para o consultor de investimentos Marco Silva, “o objectivo do negócio será a criação de sinergias que melhorem os rácios financeiros, permitindo libertar mais cash flow, o que dará mais margem para investir no negócio, assim como potencialmente remunerar melhor os acionistas”.
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