Generali Portugal incluída no lote de vendas do grupo

A Generali em Portugal deverá desencadear o processo formal de venda depois de setembro.

A Generali Portugal vai ser incluída no programa da casa-mãe italiana de vendas de participadas internacionais, soube o Jornal Económico.

Em novembro do ano passado foi anunciado que a Generali ia sair de mais de uma dezena de mercados mais maduros onde está presente, tendo posto à venda as subsidiárias em 13 a 15 países, nomeadamente França. Na altura Portugal não foi incorporado na lista de desinvestimentos. Mas segundo o Jornal Económico sabe, junto de fonte ligada ao processo, a seguradora em Portugal tem sido alvo de manifestações de interesse e vai para o mercado no outono. A Generali em Portugal diz que não comenta “especulações”.

Até agora tem estado a receber “propostas não solicitadas”, mas até ao fim de outubro deverá ser aberto um processo formal de venda. Isto é, vai ser mandatado um banco de investimento, vão ser contatados investidores e assinados os acordos de confidencialidade para acesso às contas.

Na lista de interessados poderão estar a Caravela, a Liberty ou a Zurich, revelam fontes. A Fidelidade (da Fosun) está fora da corrida, soube o Jornal Económico.

A Allianz é das companhias que está compradora em Portugal, tal como admitiu em entrevista ao Jornal Económico a sua presidente Teresa Brantuas.  “O que pode levar a Allianz a adquirir alguma companhia em Portugal é o facto de querer crescer e porque o grupo Allianz continua a querer investir em Portugal. O nosso objetivo é de expansão”, disse então Teresa Brantuas.
A seguradora Generali, liderada por Santi Cianci, CEO, passou a actuar em Portugal através de uma companhia de direito local para o ramo não vida, em 2015, em vez da sucursal através da qual operava desde 1942. O grupo italiano justificou na altura esta mudança com o reforço da “sua presença em Portugal”. O grupo segurador em Portugal, conta com mais de 350 colaboradores e 1.300 agentes. No ramo de segurador, conta com uma quota de mercado de 3,45%.

O Grupo Generali está entre as seguradoras mais importantes do mundo, com uma receita total de prémios superior a 74  mil milhões em 2015.  Com mais de 76.000 colaboradores em todo o mundo, presente em mais de 60 países, o grupo ocupa uma posição de liderança nos mercados da Europa Ocidental e tem uma presença importante na Europa Oriental e na Ásia Central.

Seguradoras à venda
“Em Portugal as seguradoras estão quase todas à venda”, diz uma fonte do sector segurador quando questionado sobre a venda de companhias de seguros em Portugal.
Na lista das seguradoras “à venda” está a Groupama. Segundo fontes a operação, que estava há algum tempo no mercado, com o processo nas mãos do banco de investimento Nomur, está prestes a ser fechada a um grupo chinês.
As seguradoras Vitória e Lusitânia também são dadas como “vendáveis” pelo mercado.

As seguradoras são ativos muito apetecíveis porque são fortes alavancas de aquisições, pois têm de aplicar as provisões que constituem em ativos. Razão pela qual as seguradoras são os maiores investidores institucionais depois dos fundos de pensões.
O processo de consolidação do setor segurador está em curso há algum tempo. Tendo, por exemplo, a Apollo comprado a Tranquilidade e a Açoreana e criado a Seguradoras Unidas.

O presidente da APS,  José Galamba de Oliveira, tem dito que o retorno dos capitais em Portugal está muito aquém do que conseguem as seguradoras em Espanha e Itália. E como tal parece restarem dois caminhos: consolidação para quem decidir ficar e o da saída do mercado português.

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