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Geração abaixo dos 40 afasta-se dos seguros de vida

O estudo abrangeu 22 mercados: Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, China, Colômbia, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Hong Kong, Índia, Itália, Japão, México, Países Baixos, Portugal, Singapura, Espanha, Suécia, Reino Unido e Estados Unidos.
17 Outubro 2025, 08h03

A contratação de seguros de vida tem vindo a diminuir, em grande parte devido ao adiamento dos fatores que, tradicionalmente, motivavam a subscrição deste tipo de apólices – o casamento e a parentalidade. A conclusão é do novo estudo World Life Insurance Report 2026, elaborado em conjunto pelo Research Institute da Capgemini e pela LIMRA.

A LIMRA é uma organização global de pesquisa, consultoria e desenvolvimento profissional que apoia mais de 700 empresas de seguros e serviços financeiros em 73 países.

O setor dos seguros de vida enfrenta um momento crítico com a mudança em curso nos estilos de vida que leva a nova geração de clientes a redefinir as principais etapas das suas vidas.

O estudo conjunto da Capgemini e da LIMRA revela que os consumidores com menos de 40 anos estão a adiar, ou até mesmo a descartar, aqueles que eram considerados como os principais impulsionadores da subscrição dos seguros  de vida até agora – o casamento e a parentalidade: 63% dos inquiridos não têm planos imediatos para casar e 84% daqueles que são solteiros e casados não planeiam ter filhos no curto prazo.

O estudo revela que, apesar de 68% dos adultos com menos de 40 anos reconhecerem a importância dos seguros de vida para a sustentabilidade do seu futuro financeiro, a oferta atual – dominada pelos produtos tradicionais, não responde às suas prioridades, levando a uma diminuição no volume de subscrições.

Entre as principais razões para esta tendência destacam-se no estudo a perceção de que as ofertas existentes estão desajustadas face às necessidades dos atuais consumidores (32%), o valor elevado dos prémios (28%) e a ausência de benefícios imediatos associados à contratação (25%).

Atualmente, a maioria dos consumidores valoriza sobretudo vantagens que possam usufruir em vida, como o apoio financeiro de emergência, os benefícios ligados ao bem-estar ou até a cobertura de tratamentos de infertilidade, explica a Capgemini.

O estudo, que inquiriu mais de 6.100 pessoas entre os 18 e os 39 anos em 18 mercados, evidencia um paradoxo. Prevê-se que dentro de 15 a 20 anos venha a ocorrer uma grande transferência de patrimónios, com os millennials e a Geração Z a esperarem herdar cerca de 106.000 dólares por pessoa em média.

Neste contexto, os seguros de vida continuam a ser um destino importante para estes fundos e apesar de todas as críticas e do desinteresse das gerações mais jovens neste tipo de produto, a verdade é que 40% dos adultos com menos de 40 anos consideram que os seguros de vida e as rendas vitalícias são a terceira componente mais importante dos seus planos de investimento patrimoniais, a seguir às aplicações em ações e ao património financeiro líquido/poupanças disponíveis, defende o estudo.

Samantha Chow, Global Leader for Life Insurance, Annuities and Benefits Sector da Capgemini, defende que “À medida que a próxima geração acumula património e adota estilos de vida menos tradicionais, as suas expectativas em relação à proteção financeira estão a evoluir. Isso significa que o setor de seguros de vida já não pode depender exclusivamente da cobertura em caso de morte para garantir o seu futuro. Hoje, as seguradoras precisam demonstrar que as suas ofertas têm valor real, oferecendo benefícios concretos no curto prazo e aos quais os clientes possam aceder enquanto estão vivos”.

“As seguradoras precisam agora de adotar uma nova estratégia para despertar o interesse das gerações mais jovens pelos seguros de vida”, refere Bryan Hodgens, Senior Vice President and Head da LIMRA.

O estudo abrangeu 22 mercados: Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, China, Colômbia, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Hong Kong, Índia, Itália, Japão, México, Países Baixos, Portugal, Singapura, Espanha, Suécia, Reino Unido e Estados Unidos.


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