Gestão, equilíbrio entre oferta e procura e a regulação são alguns dos desafios do setor imobiliário em 2020

Plataforma de crowdfunding Housers partilha as tendências que irão marcar o próximo ano e os desafios que se aproximam para este mercado em Portugal.

A plataforma de crowdfunding Housers decidiu partilhar as tendências e os desafios que se aproximam e que vão marcar o ano de 2020, no setor imobiliário.

David Diogo, real estate director da Housers em Portugal, afirma que “nos últimos dois anos de atuação da Housers no mercado português, temos assistido a um desenvolvimento saudável do setor imobiliário”.

O responsável desta plataforma sublinha que “houve uma recuperação no setor da construção com a ajuda de investimento nacional e estrangeiro”, sendo que “através da Housers, captaram-se mais de seis milhões de euros para projetos de construção em Portugal, sendo mais de 75% proveniente de investimento estrangeiro”.

Com base nestes números a plataforma de crowdfunding apresenta cinco tendências e desafios para o novo ano, sendo que David Diogo acredita que as perspetivas para 2020 são positivas prevendo “novos desafios no mercado imobiliário, mas a solidez com que se apresenta o setor faz-nos crer que serão facilmente ultrapassados”.

Novas formas de gerir imóveis

As novas formas de gestão de imóveis surgem como uma tendência crescente no setor: atores de gestão de ativos (asset management, denominação utilizada nos setores financeiros e imobiliários) surgem no mercado e estima-se que continuarão a crescer e a consolidar-se, contribuindo para uma maior profissionalização e inovação no setor, assim como novas práticas e benefícios para os proprietários.

Prova de fogo às medidas regulatórias

Há uma década vivíamos uma fase de otimismo semelhante à que se vive atualmente, mas com diferenças estruturais em fatores-chave, como a concessão de crédito. A meio de 2019, o Banco de Portugal pôs um travão à concessão de crédito de habitação, tomando medidas para evitar que se repetissem os erros da crise de 2009. Em 2020 confirmar-se-á o efeito deste travão, que foi considerado “suficiente” e “necessário” pelo Comité Europeu de Risco Sistémico (CERS).

Consolidação do uso de Big Data

As novas tecnologias estão a chegar a todos os setores e o imobiliário não é exceção. O uso de Big Data tem crescido no setor, mas há ainda muito espaço para inovar e desenvolver novas ferramentas. O desenvolvimento do uso de algoritmos para obter informação com indicadores precisos do mercado, permitindo um maior conhecimento por parte de todos os stakeholders, contribuirá para uma atuação mais rápida, acentuando a competição num mercado já vigoroso.

Procura de equilíbrio entre oferta e procura

A crescente procura de imóveis, que continuará em 2020, significa que o setor está saudável e é, portanto, um bom sinal para o mercado. O desafio será, no entanto, responder a esta procura, e neste tópico as administrações públicas podem ter uma grande influência: têm o poder de desbloquear os terrenos disponíveis para construção, o que permite a criação de novos empreendimentos imobiliários. Consegue-se assim equilibrar o mercado com a criação de mais oferta, que modera também a subida de preços.

Desafio das discrepâncias geográficas

Apesar de se assistir a uma maior procura no setor imobiliário por todo o país, esta não é igual de região para região, podendo-se dizer que o mercado se move a duas velocidades distintas. No primeiro semestre deste ano, segundo o INE, as rendas aumentaram em 9,2% por todo o país face ao semestre homólogo do ano passado. No entanto, durante este período, em certas áreas do país o valor das rendas situou-se acima da média nacional: na Área Metropolitana de Lisboa, na Área Metropolitana do Porto, no Algarve e na Madeira. Apesar deste desequilíbrio se tratar de um problema estrutural, para o qual é preciso uma articulação das entidades públicas e privadas do setor, ainda há trabalho a fazer para amenizar estas discrepâncias. A obtenção de financiamento alternativo, um mercado com margem para crescer e amadurecer, pode ajudar promotores que queiram desenvolver projetos em locais estratégicos que permitam o escoamento da pressão demográfica sobre os grandes centros urbanos.

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