Portugal está a desenvolver um projeto estratégico para criar uma gigafábrica de Inteligência Artificial (IA) de escala europeia, uma infraestrutura crítica que pretende posicionar o país como um dos principais polos de computação avançada da Europa e reforçar a sua atratividade para investimento tecnológico de alto valor acrescentado.
O ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias sublinha a relevância estratégica do projeto para o país e adianta que “com este projeto, Portugal está a investir na sua competitividade futura, na soberania tecnológica e na capacidade de atrair investimento e talento. A gigafábrica de IA permitirá apoiar a reforma do Estado, fortalecer o tecido empresarial e posicionar o país como um parceiro relevante na estratégia europeia para a Inteligência Artificial.”
A futura IA Gigafactory deverá contar com uma capacidade instalada próxima dos 150 megawatts de computação, suportada por mais de 100 mil GPUs de última geração, permitindo disponibilizar serviços avançados de IA a empresas, universidades, centros de investigação e entidades públicas. Pela sua dimensão, será um dos poucos projetos desta escala atualmente previstos no espaço europeu.
As primeiras unidades de computação poderão estar operacionais no final de 2027, estando prevista a entrada em funcionamento total até meados de 2028. Quando plenamente operacional, a gigafábrica deverá funcionar como um ativo estruturante da economia portuguesa, com impacto transversal em vários setores e na criação de emprego qualificado.
Vantagem competitiva num setor estratégico
O projeto assenta em várias vantagens estruturais da economia portuguesa, nomeadamente o acesso privilegiado a cabos submarinos internacionais, a disponibilidade de energia renovável a preços competitivos, condições naturais favoráveis ao arrefecimento de infraestruturas intensivas em energia e um ecossistema científico e tecnológico em crescimento.
Estas condições colocam Portugal numa posição favorável para acolher estruturas críticas de computação, num contexto em que a capacidade de processamento se tornou um fator determinante de competitividade económica, comparável às grandes infraestruturas energéticas ou logísticas.
A gigafábrica está a ser montada num modelo de investimento público‑privado, com envolvimento do Estado através do Banco Português de Fomento, tanto ao nível da participação no capital como da aquisição direta de serviços de IA. Este modelo permite alinhar o investimento nacional com os instrumentos europeus de apoio à inovação e à autonomia estratégica.
Para além do impacto económico direto, o projeto visa garantir capacidade soberana de Inteligência Artificial, assegurando que o Estado, a Administração Pública e o sistema científico nacional dispõem de acesso a estruturas críticas num domínio cada vez mais estratégico.
A NVIDIA, líder mundial em computação acelerada, participa no projeto como parceira tecnológica, apoiando o fornecimento de hardware e serviços especializados. Paralelamente, o consórcio tem recebido manifestações de interesse de empresas nacionais e internacionais de setores como a indústria avançada, saúde, farmacêutica, defesa ou tecnologia.
A expetativa é que funcione como um efeito âncora, atraindo investimento privado adicional e acelerar o desenvolvimento de novos produtos e serviços baseados em IA.
Impacto económico
O projeto insere‑se na Estratégia Nacional de Inteligência Artificial, aprovada em dezembro de 2025, e está alinhado com os objetivos europeus de autonomia estratégica, inovação e crescimento económico sustentado. A ambição é clara segundo o Ministro Gonçalo Saraiva Matias, “transformar Portugal num hub europeu de IA, capaz de competir à escala global e de gerar valor duradouro para a economia nacional”.
Portugal e Espanha acordaram apresentar uma candidatura conjunta, de caráter paritário, para o desenvolvimento de uma Gigafábrica Europeia de Inteligência Artificial, num projeto que prevê a instalação de infraestruturas nos dois países. A iniciativa representa um investimento histórico de oito mil milhões na capacidade tecnológica e digital da Península Ibérica.
O Jornal Económico sabe que a localização da Gigafábrica em Portugal será em Sines e que cada Estado irá investir seis milhões, com a União Europeia a comparticipar. O montante restante será financiado por empresas o apoio do Banco Português de Fomento.
O objetivo é reforçar a posição de Portugal e Espanha — e do sul da Europa — no desenvolvimento da inteligência artificial, criando condições para transformar a Península Ibérica num verdadeiro polo digital e de inovação em IA. Este será o maior investimento conjunto entre Portugal e Espanha, numa candidatura ibérica robusta e competitiva.
No âmbito do EUHpc serão escolhidas cinco localizações.
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