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Gigante alemão das eólicas fecha fábrica em Viana do Castelo

Nascida para alimentar o consórcio eólico que criou 1,2 gigas de potência eólica em todo o país, uma das fábricas da Enercon fecha agora portas.
27 Fevereiro 2026, 16h48

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce, disse Fernando Pessoa. As fábricas da alemã Enercon em Viana do Castelo nasceram para fornecer as centrais eólicas do consórcio Eneop (que juntou EDP Renováveis, a Enel Green Power e a Generg). No fim, foram construídos 1,2 gigas de potência eólica e o país foi evoluindo para um dos países europeus com mais peso das energias renováveis.

Em 2007, estava previsto que o investimento a realizar para a construção das 48 centrais eólicas rondasse ao 1.500 milhões de euros, com 250 milhões para criar o cluster eólico, a capacidade industrial para fabricar os aerogeradores. Estava prevista a criação de 1.800 postos de trabalho diretos.

A Eneop acabaria por levar um ponto final em 2015, os ativos foram repartidos, mas as turbinas continuaram a girar ao sabor do vento pelo país fora. Já a Enercon continuou a produzir componentes a partir das suas fábricas no distrito de Viana do Castelo.

A companhia alemão assume-se como líder do mercado em Portugal, com 50% de quota, o equivalente a 3 gigas de aerogeradores instalados em todo o país.

Agora, uma dessas três fábricas leva um ponto final. Os alemães da Enercon anunciaram esta sexta-feira o fecho da sua fábrica de Lanheses, Viana do Castelo, no final de abril de 2026. Um total de 68 trabalhadores ficam sem emprego.

A companhia justifica a decisão com a “alteração da linha de produtos da Enercon, uma vez que deixou de existir procura para os componentes fabricados nesta unidade e não estão previstas alternativas de produção”.

A fábrica produz principalmente geradores para os modelos de aerogeradores da plataforma EP2 (2 MW de potência), mas “devido à diminuição da procura deste produto, uma tendência do mercado que já era expectável, a comercialização centra-se agora em modelos mais modernos, de maior potência e rendimento, das plataformas EP3 e EP5”, que são produzidos na Alemanha.

“Lamentamos muito não poder continuar a produção em Lanheses. Esta unidade deu um contributo importante para o nosso produto, para a concretização da transição energética e, em particular, para a expansão da energia eólica em Portugal. No entanto, é essencial organizarmos a produção de forma eficaz para permanecermos competitivos. Isso inclui a decisão estratégica de fabricar os geradores da nova geração de aerogeradores no nosso Centro de Excelência”, disse Heiko Juritz, administrador operacional da ENERCON.

Sobre os trabalhadores, a Enercon diz estar a desenvolver “todos os esforços para explorar oportunidades de recolocação interna e cumprirá integralmente todas as obrigações legais relacionadas com o encerramento da unidade de produção”.

Apesar do encerramento, a companhia garante que continua comprometida no “longo prazo” com Portugal. “Toda a restante estrutura da ENERCON em Portugal continuará a funcionar normalmente, mantendo o seu contributo significativo, tal como o tem feito ao longo destes 18 anos de presença no país. A dedicação e o profissionalismo das nossas equipas continuam a ser fundamentais para o nosso sucesso”.


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