Governo admite “intervenção assertiva” na TAP depois de injeção de 1.200 milhões pelo Estado ter sido rejeitada

A proposta do Governo para injetar 1.200 milhões de euros foi chumbada pelo conselho de administração da TAP que teve lugar ontem dia 29 de junho, devido à abstenção dos representantes dos acionistas privados.

Cristina Bernardo

Pedro Nuno Santos acaba de admitir “uma intervenção mais assertiva” do Estado na TAP se o acionista privado continuar a não aceitar as condições impostas para o Governo injetar os 1,2 mil milhões de euros de ajuda acordados com a Comissão Europeia.

Sem referir o termo nacionalização, o ministro das Infraestruturas assegurou há minutos na audição da Comissão Parlamentar de Economia, Obras Públicas e Inovação, “neste momento, nós estamos preparados para tudo”.

“Há uma coisa que é certa para o Governo português, nós não vamos ceder nas nossas condições e nós estamos preparados para intervencionar e salvar a empresa. Agora, faremos uma intervenção mais assertiva na empresa, se o acionista privado continuar a não aceitar as condições do Estado”, avisou Pedro Nuno Santos.

O ministro das Infraestruturas revelou que ontem, dia 29 de junho, a proposta do Governo foi chumbada pelo conselho de administração da TAP, depois de os representantes dos acionistas privados terem-se abstido na votação.

“Tivemos ontem uma reunião do conselho de administração da TAP onde a proposta do Estado foi chumbada. Nós, agora vamos submeter a proposta ao nosso sócio privado e esperamos que ela seja aceite ou então aceitar uma proposta que encontre uma saída acordada para uma situação que é negativa para todos, uma saída acordada que garanta paz à TAP e evite qualquer litígio futuro”, adiantou Pedro Nuno Santos.

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