Governo e associação do setor promovem conservas nacionais

Iniciativa promocional ‘Conservas de Portugal – Vamos conservar o que é nosso’ pretende dinamizar as vendas de um setor que representa uma produção anual de 62 mil toneladas, equivalente a 332 milhões de euros, dos quais cerca de 70%, cerca de 226 milhões de euros, são destinados às exportações

A Secretaria de Estado das Pescas e a ANICP – Associação Nacional dos Industriais de Conservas de Peixe desenvolveram hoje, dia 24 de julho, uma iniciativa de promoção das conservas nacionais, no Centro Comercial Colombo, em Lisboa.

“A Secretaria de Estado das Pescas, a ANICP – Associação Nacional dos Industriais de Conservas de Peixe e a Sonae MC levaram a cabo a primeira iniciativa de divulgação do programa ‘Conservas de Portugal – Vamos Conservar o que é Nosso’ na feira das Conservas da Loja Continente do Centro Colombo, com vista a promover o consumo de conservas nacionais em prol da economia e da sustentabilidade do pescado”, avança um comunicado.

Segundo esse documento, as conservas portuguesas de peixe fabricadas em Portugal, tendo em conta a atual valorização dos alimentos em conserva e a forte atividade do setor, exportam anualmente cerca de 70% da produção, correspondente a 43 mil toneladas, no valor de 226 milhões de euros.

Entre as espécies mais exportadas estão em primeiro lugar o atum, seguido da cavala e da sardinha. Atualmente, os principais destinos de exportação são os mercados de França, Itália, Reino Unido, Estanha, Estados Unidos, Canadá, África do Sul e Suíça.

A fileira produz atualmente 62 mil toneladas, 30% das quais para o mercado nacional, e é responsável por 3.500 postos de trabalho diretos, 90% dos quais ocupados por mulheres.

“Portugal importa atualmente 57 mil toneladas de conservas de peixe no valor de 206 milhões de euros. Se cada português, nas suas compras, substituísse 10 latas de conservas importadas por 10 latas de conservas nacionais por ano, a economia portuguesa teria um incremento de 60 milhões de euros”, alerta o referido comunicado.

Para Tiago Simões, diretor de marketing da Sonae MC, “o Continente privilegia e protege os produtores nacionais desde sempre”.

“Todas as conservas de peixe Marca Continente, desde o atum, às sardinhas, passando pela nossa gama de especialidades, são produzidas em Portugal. É para nós um orgulho poder enaltecer a qualidade destes produtos, e aquilo que representam e que está tão diretamente enraizado nas nossas tradições piscatórias e acima de tudo na nossa Portugalidade”, adianta este responsável.

De acordo com Tiago Simões, “na seleção dos seus fornecedores, a Sonae MC realiza um trabalho extremamente rigoroso de avaliação, e a produção nacional dos artigos é obviamente uma característica privilegiada”.

“Além dos alargados testes de qualidade (analíticos e sensoriais) que realizamos na marca Continente, e que nos dão a garantia de apresentar uma oferta de gama de conservas de peixe produzidas em Portugal de excelente qualidade, é também critério absolutamente incontornável para a Sonae MC que a matéria prima seja adquirida através de práticas sustentáveis, respeitando as espécies e seus ecossistemas”, assegura o diretor de marketing da Sonae MC.

Para Tiago Simões, “é inegável que 2020 tem sido um ano surpreendente, e, durante os meses de estado de emergência, o volume de vendas de conservas de peixe cresceu consideravelmente”.

“As famílias portuguesas consumiram mais 43% destes produtos que no mesmo período do ano anterior. Prevemos que a tendência do aumento do consumo se mantenha até ao final do ano”, espera estes responsável da Sonae MC.

Face à pandemia de coronavírus, a venda de conservas na grande distribuição teve um incremento em março entre os 130% e os 140%, tendo abrandado nos dois meses subsequentes, com a retoma de volumes de vendas em junho.

“Através da iniciativa ‘Conservas de Portugal – Vamos Conservar o que é Nosso’ a ANICP pretende aumentar a divulgação e notoriedade das conservas de peixe portuguesas, criando condições para que os consumidores façam uma escolha informada, fomentando a preferência dos portugueses pelo consumo de produtos de origem nacional”, sublinha o referido comunicado.

Para José Maria Freitas, presidente da ANICP, “a realização de uma campanha abrangente e coletiva traz benefícios para toda a indústria, permitindo a presença conjunta das marcas em ações e iniciativas estratégicas e promovendo uma melhor rentabilização dos recursos financeiros, mas também, que as conserveiras beneficiem, individualmente, da exposição e mediatização decorrente das ações que foram pensadas para promover e aumentar a notoriedade do setor conserveiro português”.

A campanha, com a assinatura ‘Vamos conservar o que é nosso’, tem como propósito sensibilizar o público para os produtos da pesca e da aquacultura sustentáveis, apresentando as conservas enquanto exemplo distintivo de tradição e excelência da indústria e superioridade do peixe.

“‘Vamos conservar o que é nosso’ procura, através das suas diversas iniciativas, evidenciar as características diferenciadoras das conservas portuguesas como uma mais-valia competitiva e como um fator de afirmação da identidade e excelência de Portugal”, assinala o comunicado em questão.

Segundo os responsáveis desta iniciativa promocional, “as conservas portuguesas são um fator de afirmação da identidade e excelência de Portugal com forte reconhecimento internacional, mas também sinónimo de qualidade e superioridade do nosso peixe”, acrescetando que “são gerações com uma sabedoria ancestral, remetendo para uma tradição que se deve manter, mas onde se tem assistido, nos últimos anos, a um forte investimento na inovação”.

“Atualmente encontram-se diversas ofertas de conservas no mercado. Das mais tradicionais como as conservas de atum ou sardinhas até outras conservas de dourada, polvo e de receitas diferenciadoras e sofisticadas, presentes nas grandes superfícies ou em lojas da especialidade, não só em território nacional como em vários países do mundo. Esta oferta surge também para fazer face ao desafio de acompanhar as tendências do consumidor. Atualmente verifica-se uma apetência pelo consumo de produtos mais saudáveis, algo a que a indústria conserveira se adaptou rapidamente incrementando a oferta de produtos conservados em água, com baixo teor de sal, e que tem vindo a crescer exponencialmente em vendas”, avança o referido comunicado.

No entender dos responsáveis da ANICP, “uma das respostas para os desafios criados pela atual conjuntura passa pela dinamização do mercado interno e pela valorização da oferta nacional”.

“Através da campanha ‘Vamos Conservar o que é Nosso’ e da atribuição do selo ‘Conservas de Portugal’ às conservas de peixe nacionais, pretende-se valorizar e diferenciar as conservas portuguesas face às internacionais, promovendo junto dos seus consumidores os seus benéficos e atributos especais”, conclui o comunicado em apreço.

 

 

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