Governo volta a atacar a Galp: “Foi uma enorme insensibilidade comunicar despedimentos em Matosinhos antes do natal”

Depois das críticas de António Costa há dois dias, hoje foi a vez de o ministro do Ambiente ter criticado duramente a petrolífera pela sua gestão do encerramento da refinaria de Matosinhos.

O Governo voltou hoje a criticar a Galp e a forma como a petrolífera geriu o processo de encerramento da refinaria de Matosinhos, distrito do Porto.

“Considero de uma enorme insensibilidade comunicar o despedimento coletivo meia dúzia de dias antes do natal”, disse o ministro do Ambiente esta terça-feira, 21 de setembro, em conferência de imprensa em Lisboa, renovando críticas feitas pelo primeiro-ministro e por si próprio em janeiro deste ano no Parlamento.

“Tinha a expetativa que a Galp tivesse um comportamento, indo além da lei, e isso a Galp não fez”, afirmou João Pedro Matos Fernandes.

“Tinha a expectativa que a Galp tivesse um comportamento indo além da lei, e isso a Galp não fez”, afirmou o ministro, referindo-se a compensações financeiras extra, acima do exigido por lei, pelo despedimento dos trabalhadores.

No domingo, António Costa esteve presente num comício em Matosinhos onde criticou a petrolífera portuguesa pelo seu comportamento no processo de encerramento da refinaria em Leça da Palmeira.

“A Galp começou por revelar total insensibilidade social ao escolher o dia 20 de dezembro, a cinco dias do Natal, para anunciar aos seus 1.600 trabalhadores que iria encerrar a refinaria de Matosinhos”, começou por dizer num comício de apoio à candidata socialista à autarquia de Matosinhos, Luísa Salgueiro, que concorre a novo mandato.

Depois, o primeiro-ministro e secretário-geral do PS disse que a companhia mostrou  “total irresponsabilidade social” porque não preparou “minimamente a requalificação e as novas oportunidades de trabalho e de prosseguir a vida para os trabalhadores que iriam perder os seus postos de trabalho”.

Em terceiro lugar, António Costa afirmou também que a Galp “não revelou a menor consciência de responsabilidade que qualquer empresa — e em particular uma empresa daquela dimensão – tem para com o território onde está instalada, onde deixa um enorme passivo ambiental de solos contaminados, não dialogando previamente com a Câmara nem com o Estado sobre o que é que pretende fazer depois de encerrar aquela refinaria aqui em Matosinhos”.

 

Relacionadas

Refinaria de Matosinhos. Estado propôs pagar formação a trabalhadores, mas Galp recusou (com áudio)

A proposta apresentada pela entidade consistia na “possibilidade de o IEFP elaborar um programa de formação de ativos empregados à medida dos perfis de cada um dos trabalhadores, tendo como contrapartida que a empresa mantivesse o vínculo e continuasse a assegurar a remuneração”, notou fonte do Ministério do Trabalho, notando que “tal solução não foi aceite”.
antonio_costa_legislativas_altis_2

António Costa vs Galp. O que está na base da polémica?

“Disparate” e “insensibilidade”. Foi assim que o secretário-geral do PS e primeiro-ministro qualificou a decisão da Galp em fechar a refinaria de Matosinhos. Conheça as acusações de António Costa e o contexto que levou esta refinaria a despedir 1.600 trabalhadores numa decisão que deverá custar 5% do PIB de Matosinhos.

Galp não comenta afirmações de Costa sobre “insensibilidade” da empresa (com áudio)

Questionada pela Lusa sobre as declarações de António Costa no domingo, fonte oficial da empresa disse que “a Galp não tem comentários sobre as declarações do senhor primeiro-ministro”.
Recomendadas

Movimento nos aeroportos portugueses sobe 2,3% até setembro para 15,2 milhões de passageiros

O número de passageiros que passou pelos aeroportos portugueses aumentou, em termos homólogos, em 2,3%, para 15,2 milhões até setembro, adiantou em comunicado a Vinci, que detém a ANA – Aeroportos de Portugal.

Matos Fernandes descarta medidas adicionais para atenuar subida dos preços da energia

O Ministro do Ambiente e Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, disse esta sexta-feira que “não vai haver necessidade” de falar de medidas adicionais para atenuar a subida dos preços da eletricidade “nos meses mais próximos”.

Galp: “Evento na Unidade de Destilação Atmosférica de Sines” não teve impacto no abastecimento do mercado português

“Seguindo os protocolos de segurança, a Empresa parou a operação da DAT que, após o seu arranque, é esperado que opere com taxas de utilização mais reduzidas durante algumas semanas”, anuncia a Galp.
Comentários