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Grande retrospetiva de Frank Gehry é um dos muitos destaques na programação de Serralves para 2026

Sob o mote “Novos Horizontes”, Serralves revela a programação para 2026, que tanto amplia a vertente experimental, como põe o foco em retrospetivas de grandes nomes da arte contemporânea. Jenny Holzer, Frank Gehry, Anri Sala, Lee Ufan e a portuguesa Filipa César são alguns dos artistas a reter. Bem como a mostra que parte da Coleção Duerckheim.
16 Dezembro 2025, 17h30

 

Foi divulgada hoje a programação do Museu de Serralves para 2026, sob o signo “Novos Horizontes”. Entre os principais destaques, figuram exposições e projetos de artistas contemporâneos marcantes, como Jenny Holzer, Anri Sala e Lee Ufan. A par da primeira apresentação num Museu da prestigiada Coleção Duerckheim, a somar a uma grande retrospetiva dedicada ao arquiteto Frank Gehry, recentemente falecido.

De referir ainda a retrospetiva cinematográfica dedicada à obra do realizador português Miguel Gomes, vencedor do Prémio de Melhor Realização no Festival de Cannes de 2024. As exposições da pintora norte-americana Alice Neel e a antológica de Filipa César, já em janeiro, sem esquecer o regresso do Serralves em Luz e da 20.ª edição de Serralves em Festa.

Nem sempre a ordem cronológica importa, mas neste caso, vamos adotá-la para os leitores mais dados a planeamento poderem rechear a agenda.

Filipa César | Meteorizações – janeiro a maio de 2026
A artista portuguesa Filipa César investiga, desde 2011, as origens do cinema militante na Guiné-Bissau e o seu imaginário, no âmbito do projeto coletivo Luta ca caba inda (a luta ainda não acabou), tornando-se uma das mais interessantes (e raras) artistas que analisam criticamente o passado colonial português.

Coleção Leal Rios | Auto dos Anfitriões – janeiro a junho de 2026
Na Ala Siza apresentar-se-á uma exposição das obras da Coleção Leal Rios depositadas em Serralves. Esta coleção, que traduz exemplarmente o dinamismo e a ambição do colecionismo privado em Portugal, integra obras de grande escala, muitas delas de artistas também representados na Coleção de Serralves, constituindo um complemento essencial para perceber os seus percursos.

Joan Miró | Afinidades Eletivas – fevereiro a maio de 2026
Com curadoria de Robert Lubar, esta exposição reúne obras da Coleção Miró do Estado Português e da Coleção de Serralves, traçando afinidades inesperadas entre gerações de artistas de diferentes geografias, tendo a obra de Joan Miró como eixo central. Assenta em dez eixos temáticos, de Memória e Matéria a Corpos, num diálogo entre Miró e artistas como Helena Almeida, Paula Rego, Blinky Palermo e Robert Morris.

Manoel de Oliveira e o Cinema Português III – março de 2026 a setembro de 2027
Terceira de uma série de exposições dedicadas ao cineasta português Manoel de Oliveira, esta programação centra-se nas três últimas décadas da sua carreira, período em que realizou cerca de 20 filmes num intenso e prolífico impulso criativo.

Frank Gehry – maio a outubro de 2026

A programação de 2026 em Serralves tem como eixo central a grande retrospetiva “A Century of Gehry”, dedicada à obra
do arquiteto icónico Frank Gehry. A mostra acompanha a evolução do pensamento de Gehry em 26 projetos fundamentais, desde as primeiras experiências até edifícios emblemáticos como o Museu Guggenheim de Bilbau, e oferece uma visão rara sobre o processo criativo do arquiteto norte-americano.

Aflição de Espírito, Coleção Duerckheim X Serralves – 14 de maio a 8 de novembro de 2026
Uma das mais significativas coleções privadas da Europa, a Coleção Duerckheim reúne obras seminais de artistas como Georg Baselitz, Anselm Kiefer, Damien Hirst, Theaster Gates e Zhang Huan. Agora em depósito de longa duração em Serralves, esta exposição reflete sobre as responsabilidades morais e históricas da humanidade no rescaldo da guerra e do autoritarismo. Através da pintura, da escultura e do cinema, explora a forma como a arte contemporânea tem enfrentado o trauma do século XX e a persistência da memória coletiva.

Serralves em Festa – 29 a 31 de maio de 2026
A 20.ª edição de Serralves em Festa apresentará dezenas de eventos ao longo de uma maratona contínua de 50 horas de artes performativas e visuais, distribuídas por todo o campus. O Serralves em Luz, uma exposição noturna imersiva com 2,5 quilómetros que explora a magia da luz através de interatividade, video mapping, LED e efeitos visuais em mais de duas dezenas de instalações luminosas, vai regressar em 2026.

Jenny Holzer | Wrong Answers – junho de 2026 a janeiro de 2027
Há mais de quatro décadas que a artista norte americana Jenny Holzer redefine a experiência da linguagem através da arte. Holzer aborda temas como poder, violência e justiça social através da retórica dos sistemas contemporâneos de informação. Esta exposição é a sua primeira grande apresentação em Portugal.

Lee Ufan – julho de 2026 a janeiro de 2027

Figura central da arte do pós-guerra, filósofo e artista, Lee Ufan estabelece uma ponte entre estéticas orientais e ocidentais através de gestos minimalistas que enfatizam a materialidade, a perceção e a relação entre espaço e tempo. Oportunidade para descobrir a sua obra naquela que é a sua primeira grande exposição em Portugal.

Alice Neel | Beautifully Imperfect – julho de 2026 a janeiro de 2027
Celebrando uma das vozes mais radicais da pintura norte americana do século XX, “Beautifully Imperfect” explora a representação profundamente humana da identidade, da intimidade e do conflito social na obra de Alice Neel. Organizada tematicamente, a exposição aborda o corpo, a maternidade, o envelhecimento e comunidades marginalizadas, desde residentes do Harlem a ativistas e imigrantes.

Miguel Gomes – outubro de 2026 a março de 2027
Esta exposição, criada em estreita colaboração com o realizador, propõe uma imersão nos seus processos criativos, acompanhada por uma retrospetiva integral, um programa carte blanche e novas publicações da sua obra. Gomes é hoje um dos mais reconhecidos cineastas portugueses contemporâneos, conhecido pela singularidade dos seus métodos de trabalho. Em 2024, venceu o prémio de melhor realização do Festival de Cinema de Cannes, em França, pelo filme “Grand Tour”.

Anri Sala – novembro de 2026 a maio de 2027
Reconhecido pelas suas instalações imersivas que fundem som, imagem e arquitetura, Anri Sala transformará a ala poente do Museu de Serralves com uma intervenção site specific que combina obras icónicas e recentes. A exposição reimagina o percurso do visitante como uma composição espacial e temporal, onde a música e o movimento
moldam a perceção.


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