Cinco dos maiores bancos canadianos juntaram-se recentemente aos seus congéneres dos EUA ao deixarem a Net-Zero Banking Alliance (NZBA) convocada pelas Nações Unidas. Essa Aliança Bancária Net-Zero é composta por um grupo de bancos globais líderes empenhados em alinhar as suas atividades de empréstimos, investimentos e mercados de capitais com uma meta de emissões líquidas zero de gases com efeito de estufa até 2050.
A agência de rating Morningstar DBRS abordou o tema numa nota intitulada “Os grandes bancos globais estão a deixar a Aliança Bancária Net-Zero: isso importa?”.
A saída dos grandes bancos norte-americanos da maior coligação climática do sector global irá provavelmente abrandar o ritmo de transição climática da região e aumentar os riscos físicos climáticos.
Entretanto, os principais bancos da Europa também estão a reconsiderar a filiação na NZBA. “Embora não esperemos que se afastem dos seus compromissos climáticos gerais”, defende a DBRS.
A DBRS diz que “na nossa opinião, o êxodo súbito dos grandes bancos norte-americanos sublinha uma tensão crescente entre os compromissos climáticos e a agenda da administração Trump, que está a recuar ou a abandonar completamente os compromissos climáticos anteriores assumidos durante a administração Biden”.
“Os bancos dos EUA enfrentam também desafios legais a iniciativas ambientais, sociais e de governação que limitam o financiamento das indústrias de combustíveis fósseis e podem violar as leis anti-trust”, acrescenta a agência.
Os riscos relacionados com o clima, que podem ser categorizados como riscos físicos e de transição, podem ter um impacto material na segurança e solidez das instituições financeiras ao longo do tempo, incluindo os bancos. A DBRS escreve que “a falha na gestão dos riscos relacionados com o clima pode ampliar os riscos de crédito, de mercado, de seguros e de liquidez e levar a maiores desafios operacionais e de reputação. Assim, esperamos que os nossos bancos classificados continuem a desenvolver resiliência contra os riscos relacionados com o clima”.
Entre os principais destaques deste comentário está ainda a afirmação de que “nenhuma das classificações de crédito ou tendências dos bancos no nosso universo de cobertura foi afetada até agora por considerações climáticas. No entanto, continuamos a monitorizar os riscos relacionados com as alterações climáticas e a refletir a sua materialidade na nossa avaliação de crédito”.
A DBRS destaca ainda que num estudo de abril de 2023 (revisto em janeiro de 2024) do Federal Reserve Bank de Nova Iorque sobre as exposições dos bancos dos EUA aos riscos de transição climática concluiu que os maiores bancos dos EUA têm relativamente exposições modestas a riscos de transição, mesmo nos cenários modelados mais adversos.
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