Grandes empresas fazem balanço positivo do teletrabalho

Usado como resposta à pandemia da Covid-19, o trabalho remoto permitiu manter a atividade e garantir a segurança dos colaboradores na EDP, Novo Banco e Microsoft. O balanço, feito, esta terça-feira, na conferência “Descodificando o trabalho Híbrido”, promovida pela Microsoft Portugal, em que o JE foi media partner, “é claramente positivo”.

Ana Paula Marques, administradora da EDP, Paula Panarra, directora-geral da Microsoft Portugal, e Catarina Horta, diretora de Capital Humano do Novo Banco, explicaram esta terça-feira, 12 de outubro, na conferência “Descodificando o trabalho Híbrido”, como foi a adaptação ao trabalho remoto. O facto de serem empresas muito diferentes entre si –  banco, elétrica e fornecedor de serviços e dispositivos, respetivamente – , fez com que adotassem estratégias diferentes, mas o resultado foi o mesmo. “Claramente positivo”, disseram na conferência promovida pela Microsoft Portugal, que teve como media partner O Jornal Económico.

“A adaptação ao remoto foi muito exigente e requereu dos colaboradores e das lideranças muita disciplina e muita flexibilidade. O balanço que fazemos é claramente positivo”, afirmou Ana Paula Marques, administradora da EDP.

A gestora revelou que 72% dos colaboradores da empresa no mundo e 79% em Portugal estiveram em trabalho 100% remoto. Isto foi possível porque – explicou – todos aqueles que tinham atividades totalmente passíveis de serem desempenhadas em trabalho remoto foram para casa. Aos restantes foram aplicadas três tipologias de atuação. Nesse âmbito, destacou, a aposta da empresa numa supervisão cada vez mais remota, o que permitiu que uma parte das atividades de manutenção pudesse ser feita através do digital e por via remota. Caso das centrais hidroelétricas. Funcionaram com um número reduzido de pessoas no sítio face ao período pré-pandemia, justamente porque há atividades que eram passíveis de serem feitas remotamente. Em segundo lugar, acrescentou, continuaram a ser realizados os serviços que obrigatoriamente implicam presença física e foi importante que o fizessem com toda a segurança. Um terceiro aspeto envolveu algumas lideranças, que, embora tendo a capacidade de realizar todo o trabalho em remoto, fizeram-no, mas garantindo também, no terreno, o acompanhamento dos trabalhadores respetivos.

“A pandemia revelou grandes oportunidades e também a obrigatoriedade de pensar como o nosso ambiente de trabalho está desenhado e estruturado”, afirma Ana Paula Marques, acrescentando que o trabalho que vinha a ser feito na empresa contemplava já espaços colaborativos. Os centros electroprodutores, por exemplo, estavam já totalmente conectados com hi fi com todas as centrais quando em março de 2020 Portugal entrou em confinamento.

A adaptação ao trabalho remoto durante a pandemia foi medida e quantificada pela EDP e o resultado permitiu planear o regresso gradual dos trabalhadores ao local de trabalho físico em todas as geografias, tendo em conta as especificidades de cada região, uma vez que se trata de uma empresa global e a situação pandémica não é a mesma em todos os lugares ao mesmo tempo. “Tendo em conta os resultados, concluímos que foi uma oportunidade para as empresas do grupo discutirem as possibilidades do teletrabalho de uma forma efetiva, sabendo nós que os espaços físicos e o encontro físico será um elemento central”, concluiu.

 

Microsoft, a importância do espaço na adaptação

Antecipar tendências é invariavelmente uma vantagem. Com a mira no futuro e num momento que se veio a revelar de grande oportunidade, a Microsoft Portugal procedeu à remodelação do espaço físico meses antes da pandemia.

Paula Panarra, directora-geral da Microsoft Portugal, explica que as novas tendências passam pela criação de espaços muito pequenos em que as pessoas podem estar no escritório a trabalhar individualmente e focadas e espaços totalmente equipados, onde, por exemplo, é possível uma reunião com duas ou três pessoas e muitas outras que participam através da rede.

“Estamos a falar – salienta – de muitos espaços abertos para brainstorm, para trabalhos de grupo, trabalhos de equipa… em suma, momentos criativos. Isso em conjunto com um modelo de open space que já tínhamos, sem lugar marcado, e que agora é muito útil devido à necessidade de reduzir a capacidade do escritório”.

A directora-geral da Microsoft Portugal revela também que se vai prosseguir para uma fase em que há inclusivamente marcação para ir ao escritório e o espaço será aquele que estiver disponível. “O repensar dos espaços físicos para tornar esta forma de trabalho híbrido inclusiva, colaborativa, mas, ao mesmo tempo, de foco individual, é outros dos desafios”, conclui Paula Panarra.

 

Novobanco: crise é ponto de partida para o futuro

No Novo Banco foi tomada a decisão estratégica de durante a pandemia manter no escritório um limite mínimo de 20% dos colaboradores em teletrabalho. “Por solidariedade e até por exemplo, não aceitámos que todas as pessoas que pudessem ir para teletrabalho fossem. Houve sempre uma parte cá”, explica Catarina Horta, diretora de Capital Humano do Novo Banco.

O banco limitou-se a apontar a fasquia, cabendo a decisão sobre quem ia e quem não ia para casa em trabalho remoto à direção respetiva. Às chefias foi apenas recomendado que as equipas funcionassem em espelho, porque se alguma coisa falhasse, isto é, se alguém ficasse doente e tivesse que ir para casa de quarentena, as equipas não parassem. “Era a única coisa rígida”, salienta.

Na primeira fase tratou-se de munir as duas mil e tal pessoas que tinham a possibilidade de ir para casa, de ferramentas e houve que recorrer à criatividade para o garantir. Agora começa a regressar-se à normalidade, mas sem pressa. “Queremos saber como é o Inverno. Queremos mais segurança do que pressa porque sabemos que conseguimos funcionar”.

Na perspetiva da gestora, a resposta no modelo de crise foi boa, mas a solução para o longo prazo ainda não foi encontrada. “O que queremos perceber é como é que podemos funcionar para o futuro e é nesse sentido que estamos a trabalhar, para a partir de 2022 funcionarmos com um modelo híbrido que nos satisfaça e que evolua positivamente”, adianta Catarina Horta.

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