‘Green Deal’. CEO da Jerónimo Martins Agro-alimentar defende que produção animal exige “maior disciplina”

Na última conferência do ciclo para a concretização de uma visão estratégica para o agroalimentar em Portugal, promovida pela Lusomorango, à qual o Jornal Económico é media partner, António Serrano argumentou que, “à partida, a pressão vai estar na produção animal, em particular na produção de carne e de leite”. Isto por serem “áreas mais expostas”.

O presidente executivo da Jerónimo Martins Agro-alimentar, António Serrano, considera que a agenda europeia para o futuro da política agrícola comum (PAC) é “muito ambiciosa”, tendo em conta o Pacto Ecológico Europeu (vulgo Green Deal). Contudo defende que o horizonte temporal é “curto”, tendo em conta os desafios a considerar, sendo a produção animal o segmento de atividade que se terá de trabalhar com “maior disciplina”.

Na última conferência do ciclo para a concretização de uma visão estratégica para o agroalimentar em Portugal, promovida pela Lusomorango, à qual o Jornal Económico é media partner, António Serrano argumentou que, “à partida, a pressão vai estar na produção animal, em particular na produção de carne e de leite”. Isto por serem “áreas mais expostas”.

O Green Deal é um manifesto de intenções da Comissão Europeia, que defende a redução das emissões de dióxido de carbono na agricultura e a distribuição do objetivo pelas várias agriculturas e atividades agrícolas. Ora, para o gestor da Jerónimo Martins, antes de qualquer alteração, é “preciso que os agricultores e produtores possam medir as emissões e os impactos”.

António Serrano disse que a questão é pertinente, mas  que “há uma métrica que é necessário estabelecer”. Exemplificando com a intenção de reduzir em 50% a utilização de pesticidas químicos, Serrano afirmou: “Compreendemos que para uma alimentação mais saudável é necessário evoluir nesta áreas. Mas temos que ver como é que isto se concilia no tempo, de forma a não haver ruturas nem descontinuidades na nossa capacidade de produção e produtividade das várias agriculturas”.

“Há também a questão da redução dos nutrientes em pelo menos 50%, mas é preciso garantir que não há uma deterioração da fertilidade dos solos. Talvez um dos maiores problemas que enfrentamos, além da água. O desafio é garantir que os nossos solos são mantidos, recuperados, preservados, e que tenham condições para continuar a produzir no futuro”, acrescentou.

O aumento da agricultura biológica em 25% é outro desafio, segundo António Serrano, visto que tal pode contribuir para o encarecimento dos produtos no consumidor final.

“Em teoria, estou de acordo com essa agenda [europeia]. Temos de fazer mudanças nas práticas, melhorar a eficiência e reduzir os impactos. Mas é preciso atender ao ritmo e às características de cada Estado na União Europeia”, salientou, defendendo que, porém, é necessário adaptar essa agenda às características e ao padrão de cada política agrícola de cada Estado-membro.

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