Greve CP: “Será que vamos ter o ministro [Pedro Nuno Santos] em greve no próximo dia 8?”, questionam sindicatos

O ministro das Infraestruturas e da Habitação disse recentemente compreender os motivos da greve dos trabalhadores da CP – Comboios de Portugal e da Infraestruturas de Portugal (IP), marcada para 8 de outubro, afirmando que “têm razão” porque os salários são baixos. Federação de Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) questiona agora de forma irónica Pedro Nuno Santos após Governo e administração da CP terem anunciado “pequenas” atualizações, que não ultrapassam os 10 euros, para salários até 800 euros.

A Federação de Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) lança críticas ao ministro das Infraestruturas depois de o Governo e a administração da CP – Comboios de Portugal terem marcado uma reunião na empresa para anunciarem atualizações salariais que não ultrapassam os 10 euros para salários até 800 poucos. Um anúncio que foi feito poucos dias depois de o governante Pedro Nuno Santos ter afirmado compreender os motivos da greve dos trabalhadores da CP e da Infraestruturas de Portugal (IP), marcada para 8 de outubro, afirmando que “têm razão”.

“O primeiro-ministro do governo do PS anda pelo País a falar em muitos milhões para os próximos anos, mas quando se trata de valorizar os salários o discurso muda para tostões, não muitos e não para todos, não vão os trabalhadores pensarem que ficam ricos. Com efeito, perante uma greve anunciada para dia 08 de outubro, a administração/governo, marcaram uma reunião na CP, para anunciarem pequenas atualizações nos salários até 800 euros”, avança nesta segunda-feira, 27 de setembro a Federação de Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans).

A Fectrans questiona, por isso, de forma irónica: “depois de ministro ter afirmado à comunicação social que os ferroviários tinham razão em fazerem greve porque os salários são baixos, numa empresa por ele tutelada é esta a proposta que foi apresentada. Será que vamos ter o ministro em greve no próximo dia 8 como forma de protesto contra as propostas que o seu ministério fez?”.

A Federação dos sindicatos do setor dá aqui conta que “apenas propõem 10 euros para quem recebe 645 até 791 euros e acima deste valor, a diferença até perfazer 801 euros”, salientando que “a resposta dos trabalhadores da CP, da IP e empresas afiliadas, é de paralisarem no dia 8 de outubro”.

Ou seja, perante a reivindicação dos sindicatos, a Fectrans avança que do aumento de salário para todos os trabalhadores da CP e da IP, “a resposta da administração/governo é não”, à semelhança da admissão de trabalhadores, da revisão da contratação coletiva, do cumprimento do acordo da certificação das profissões ferroviárias e também da revindicação de harmonização das regras de trabalho na CP e na IP, a qual o governo e administração, frisa, “dizem não, ou na melhor das hipóteses lá para 2022”.

Recorde-se que o ministro das Infraestruturas e da Habitação disse a 17 de setembro compreender os motivos da greve dos trabalhadores da CP e da IP, marcada para 8 de outubro, afirmando que “têm razão”.

“Compreendo perfeitamente os trabalhadores. Acho que eles têm razão, e eu estou também na luta para conseguir o reconhecimento daquela gente, que está a fazer um trabalho fantástico pelo país e precisa de ser reconhecida”, disse o ministro à chegada ao Porto, na Train Summit – Green deal e Descarbonização, que decorreu numa carruagem integrada num comboio Intercidades Lisboa – Porto.

Pedro Nuno Santos disse também que os trabalhadores de manutenção da CP “ganham pouco” e que “o país tem de resolver isto”.

Já o vice-presidente da CP Pedro Moreira afirmou que a empresa tem “dificuldades em segurar os trabalhadores, muitas vezes, porque eles têm a noção que as empresas privadas pagam muito mais e reconhecem as capacidades e a experiência que eles têm em áreas técnicas, que são utilizadas não só na ferrovia mas também em outras áreas da indústria”.

Os trabalhadores da CP e da IP vão estar em greve no dia 8 de outubro, reivindicando o aumento dos salários, a revisão do Acordo da Empresa e a admissão de funcionários. Em causa está o aumento dos salários de todos os trabalhadores, que tenha em conta a atualização do salário mínimo nacional, bem como a “responsabilidade e conhecimento profissional exigidos”.

Os representantes dos trabalhadores lembram que, após anos de congelamento, as atualizações salariais foram “insuficientes” e não acompanharam o crescimento do salário mínimo nacional.

Existem categorias profissionais nas duas empresas que em 2000 tinham como salário base da sua carreira um valor de 185% do salário mínimo nacional, enquanto no topo da carreira essa relação era de 235%, quando hoje é de, respetivamente, 118% e 153%.

Segundo os sindicatos do setor, desde 2015, o salário mínimo nacional teve um aumento de 145,83 euros, não se verificando a devida atualização salarial nestas empresas, originando que os salários praticados nestas empresas fiquem cada vez mais próximos do salário mínimo nacional. Esta situação não se altera com a falta de negociação ou de imposição de propostas que se traduzem, nalguns casos, em atualizações de um euro mês.

Reivindicam também a admissão de trabalhadores em falta, uma vez que a autorização para a contratação de um trabalhador por cada que vai para a reforma não basta para repor os quadros e manter o serviço.

 

 

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