O grupo EDP tem vivido uma verdadeira sangria nos mercados na última semana. O corte no investimento até 2028 previsto no plano estratégico e o desinvestimento do quarto maior acionista da EDP provocaram perdas de quase 4,4 mil milhões de euros para as duas cotadas no espaço de uma semana entre a cotação de fecho da sessão pré-apresentação do plano e a sessão de terça-feira.
A EDP perdeu quase 2,8 mil milhões de euros, com a EDPR a desvalorizar cerca de 1,6 mil milhões. As duas somadas sofreram uma quebra de quase 14% desde o dia 5 até ao dia 11 de novembro.
Primeiro, o grupo EDP apresentou o seu plano estratégico até 2028 na semana passada, prevendo investir 12 mil milhões de euros no espaço de três anos, ao ritmo de quatro mil milhões por ano.
Face ao plano estratégico apresentado em 2023, o investimento da EDP vai recuar dos então 25 mil milhões de euros previstos (23-26) para 12 mil milhões (26-28): dos 8,3 mil milhões de euros anuais previstos em 2023 para quatro milhões anuais.
Só a EDP Renováveis previa 20 mil milhões de euros de investimento no plano de 2023, face aos 4,5 mil milhões atuais. A EDPR prevê acrescentar cinco gigas de capacidade até 2028, com dois gigas nos EUA já este ano.
Os investidores não gostaram: em apenas dois dias, as duas cotadas desvalorizaram 3,5 mil milhões.
Em reação, o Goldman Sachs cortou a recomendação da EDP na sexta-feira de ‘neutro’ para ‘vender’, com uma redução do preço-alvo de 4,45 euros para 4,05 euros.
Já a XTB apontou que o nível de endividamento da EDPR “continua a ser muito grande (quase do tamanho do capital próprio), no qual deve continuar a ser monitorizado de perto pelos investidores”.
Na segunda-feira, o dia correu melhor para a família EDP. A casa-mãe fechou a sessão a ganhar mais de 1,7% para 3,960 euros, com a EDP Renováveis a subir 2,56% para 12,02 euros. As cotadas recuperaram parcialmente das perdas de 3,5 mil milhões que sofreram na quinta e na sexta-feira depois da apresentação do plano estratégico.
Mas após o fecho do mercado foi revelado que o quarto maior acionista da elétrica queria vender a sua posição.
O fundo era até agora o quarto maior acionista da EDP e contava com uma participação de 5,44% na elétrica, com 227,5 milhões de ações.
A China Three Gorges mantém-se como maior acionista com mais de 21%, seguida dos espanhóis da Oppidum com quase 7% e dos norte-americanos da BlackRock com mais de 6%.
Nem o CPPIB, nem a EDP quiseram fazer comentários quando contactados pelo JE.
EDP sobrevive a Trump, mas corta no investimento
Foi um ano de 2025 marcado por “nuvens negras”, com muitas incertezas sobre a operação nos Estados Unidos da América. O primeiro ano de Donald Trump na Casa Branca foi uma montanha-russa de emoções para as companhias no mercado energético dos EUA, incluindo a EDP Renováveis (EDPR).
Mas passados 10 meses, existe agora “muito mais clareza sobre as renováveis e os EUA”, garante o presidente-executivo da EDP.
A aposta mantém-se em terras do Tio Sam, garante a companhia, que espera colher frutos da febre de inteligência artificial (IA) que será alimentada por centros de dados sedentos de energia.
“Temos a Google e a Amazon a ligarem-nos”, exemplificou Miguel Stilwell d’Andrade na quinta-feira em Londres durante a apresentação do plano estratégico da EDP para 2026-2028.
A capacidade de centros de dados deverá subir duas vezes nos EUA e na Europa até 2030, provocando um disparo pela procura de eletricidade.
A companhia já tem 3,3 gigas de contratos assinados com as big tech em todo o mundo, incluindo Amazon, Microfost, Google e Meta.
“Não é segredo que houve bastante turbulência na primeira metade do ano. Os créditos fiscais chegaram a estar em causa, mas mantiveram-se e com visibilidade até 2030, dando bastante estabilidade para os próximos cinco anos. A principal incerteza desapareceu”, afirmou Stilwell em Londres.
O peso dos EUA no investimento total da EDPR até vai subir em 10 pontos para 60%: 4,5 mil milhões de euros. O plano total de investimentos da EDP para 2026-2028 vai ser de 12 mil milhões. O valor representa um corte face ao investimento de 25 mil milhões de euros previstos no plano divulgado em 2023, que foi sofrendo sucessivos cortes até atingir 14 mil milhões.
“Estamos a ser realistas, não estamos a ser conservadores e vamos construir a partir daí. Se houver procura, avançamos”, garantiu o gestor.
A mensagem para os investidores e partes interessadas foi simples: “Foco nas renováveis nos EUA e nas redes de eletricidade na Ibéria”, disse o gestor durante a apresentação do plano estratégico em Londres.
A meta para os próximos anos é construir cinco gigawatts de potência. Rotação de ativos? A previsão é encaixar cinco mil milhões.
“Não estamos pressionados por megawatts, preferimos retornos a construir megawatts. Cinco gigas é um número saudável”, disse Miguel Stilwell d’Andrade.
O gestor garante que não vai estar a comprometer-se com projetos adicionais perante o risco de falharem. “Se os projetos não estiverem lá porque o mercado vai cair…”, a EDP fica mais protegida, destacou.
A casa-mãe EDP vai investir 12 mil milhões brutos entre 2026 e 2028, incluindo 7,5 mil milhões de euros na EDP Renováveis, com a aposta em eólica, solar e sistemas de armazenamento com baterias, com 60% destes nos EUA.
Já 3,6 mil milhões de euros destinam-se a redes de eletricidade, com dois terços a terem lugar na Península Ibérica, “continuando a reforçar o portefólio de produção flexível de eletricidade (flexgen) e clientes na Península Ibérica”.
Tagus Park – Edifício Tecnologia 4.1
Avenida Professor Doutor Cavaco Silva, nº 71 a 74
2740-122 – Porto Salvo, Portugal
online@medianove.com