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Grupo Fnac Darty com prejuízos de 146 milhões de euros em 2025

O EBITDA corrente ascendeu a 667 milhões de euros, um aumento de 15 milhões em comparação com o final de 2024. O prejuízo em 2025 leva em consideração atividades descontinuadas, como a Nature et Découvertes, uma marca de bem-estar com dificuldades financeiras que o grupo anunciou que pretendia alienar no mês passado.
Foto cedida
26 Fevereiro 2026, 00h12

O Grupo Fnac Darty apresentou os seus resultados anuais de 2025 e registou um prejuízo de 146 milhões de euros em 2025, que compara com um lucro de 26 milhões de euros em 2024.

O grupo francês que o bilionário checo Daniel Kretinsky pretende controlar maioritariamente através de uma oferta pública de aquisição (OPA), registou prejuízos em 2025, penalizado sobretudo pelas perdas da Nature et Découvertes, que procura vender.

Com uma receita total de 10.330 milhões de euros em 2025 (um crescimento de +0,7% Like-for-like). Isto é, excluindo os efeitos da taxa de câmbio e tendo por referência um número comparável de lojas, as vendas ficaram praticamente estáveis ​​(+0,7%)

A subida da faturação de 25% face a 2024 é assim devido à integração da empresa italiana Unieuro, adquirida no final de 2024. Mas o grupo atribui também à aposta no plano estratégico Beyond Everyday 2030.

No quarto trimestre de 2025, a receita do Grupo totalizou 3.446 milhões (+0,1% LFL), com um crescimento no Resto da Europa (+1,0% LFL), destacado por desempenhos em Portugal e Espanha, a compensar a quebra na França (-0,6% LFL).

O desempenho operacional foi um dos pontos altos do ano. A margem bruta atingiu os 28,0%, uma subida de 50 pontos base face ao ano anterior. Este incremento é explicado quase inteiramente pela maior penetração de serviços e subscrições, que compensam a pressão sobre os preços dos produtos eletrónicos.

Pela primeira vez, o resultado operacional corrente fixou-se nos 203 milhões de euros. A empresa reporta um EBITDA corrente de 667 milhões  de euros, apesar do aumento dos custos operacionais, garantindo uma margem operacional de 2,0%.

Como sinal de confiança na solidez financeira do grupo, a administração propôs um dividendo de 1,00 por ação, com pagamento previsto para o início de junho de 2026.

O ecossistema digital continua a ser um pilar de crescimento. O negócio online registou uma subida de quase 6%, mas o dado mais relevante é a taxa de Click & Collect (recolha em loja) de quase 50%. Este modelo híbrido não só otimiza os custos logísticos, como garante tráfego adicional às lojas físicas, permitindo a venda cruzada de acessórios e serviços.

Enquanto a França registou uma ligeira contração de -0,6% LFL no último trimestre (penalizada por um dezembro fraco), o segmento Resto da Europa cresceu +1,0% LFL.

Portugal e Espanha destacaram-se com crescimentos de “high single-digit” (perto dos 10%), compensando a timidez do mercado francês e consolidando a Península Ibérica como uma região de forte expansão para o grupo.

O ano de 2025 marcou a integração total da Unieuro no perímetro do Grupo, permitindo à Fnac Darty reforçar a sua liderança no mercado europeu. Simultaneamente, o grupo procedeu à reclassificação da Nature & Découvertes como operação descontinuada, focando o capital e a gestão no core business e nos serviços de subscrição.

Segundo o CEO Enrique Martinez, “o ano passado reforçou o nosso modelo e confirmou a relevância da nossa trajetória, apesar de um ambiente de consumo difícil em França”.

A ambição para 2026 é clara: acelerar a rentabilidade. O grupo prevê um aumento adicional da margem operacional corrente e uma melhoria no fluxo de caixa livre (Free Cash-Flow). A estratégia continuará centrada na “circularidade” (reparação e segunda mão) e na expansão do modelo omnicanal em toda a Europa.


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