Grupo Pestana recruta cada vez mais engenheiros informáticos para os hotéis

“Todas as empresas e quadros já se consciencializaram de que a aprendizagem tem de ser contínua”, disse esta quarta-feira o CEO, José Theotónio, no ciclo de conversas “30′ a 3”, promovido pelo Montepio Crédito e pelo Jornal Económico.

Para formar melhores gestores, o Grupo Pestana tem apostado na formação contínua dos seus profissionais e na contratação de perfis cada vez mais tecnológicos. O presidente executivo do grupo hoteleiro nacional disse esta quarta-feira que há meses em que recruta mais engenheiros informáticos e cientistas de dados do que operacionais de hotelaria, porque, em todos os patamares e funções, “o domínio da tecnologia é essencial”.

“Todas as empresas e todos os quadros já se consciencializaram de que a aprendizagem tem de ser contínua. O ritmo a que mudam os modelos de negócio e as exigências de qualificações para quem trabalha nas organizações implica que, ao longo de uma vida de trabalho, as pessoas vão adquirindo novos conhecimentos”, afirmou José Theotónio, num encontro subordinado ao tema “Os desafios da Gestão para a década e a qualificação dos gestores”.

Na sexta de seis conversas mensais promovidas pelo Jornal Económico e pelo Montepio Crédito, no âmbito do ciclo “30’ a 3”, o empresário português falou sobre os efeitos da digitalização na competitividade e produtividade do tecido empresarial. “Hoje fala-se muito daquilo que é a transformação digital e o que ela implica. É algo que as empresas precisam de compreender para verificar o que podem aproveitar para melhorar os seus rácios de produtividade e ganhar novos mercados. Na questão do turismo e dos seus profissionais, com o crescimento que a atividade tem tido, há uma escassez de quadros qualificados”, explicou José Theotónio.

Recentemente, o Grupo Pestana implementou soluções de Analítica e Big Data da BI4ALL para tentar retirar o máximo partido dos dados gerados nas 100 unidades hoteleiras que tem na Europa, África e América. O CEO assegura quer tem procurado trabalhar de forma próxima com as escolas profissionais, para que, assim que os estudantes terminem o curso, possam integrar os hotéis da cadeia. A seu ver, esta é uma forma de valorizar as profissões do turismo para que as empresas do setor possam atrair mais talentos.

“Costuma-se dizer que gestão é bom senso. Além disso, para retermos quadros talentosos, temos de lhes dar esperança”

Já Pedro Gouveia Alves, CEO do Montepio Crédito, lembrou que o mercado financeiro tem vindo a enfrentar desafios do ponto de vista de contexto socioeconómico e do ponto de vista regulamentar, o que acabou por alterar a própria composição da “mão-de-obra” do setor. “Acabámos de sair de uma crise financeira profunda, que durou muito tempo e que teve impactos significativos no desenvolvimento do negócio, na gestão”, lembrou.

Apesar de defender que os desafios de retenção, desenvolvimento e atração de talento nas instituições financeiras não são diferentes dos que enfrentam outros setores de atividade, Pedro Gouveia Alves denotou necessidades a nível de recursos na gestão de risco, compliance e auditoria, tendo em conta que estas áreas requerem uma grande dotação técnica. “Aquilo que procuramos hoje são profissionais competentes e mais especializados em áreas muito específicas”, frisou o gestor, acrescentando que se costuma “dizer que gestão é bom senso”, mas não basta: “Para reter quadros talentosos temos de lhes dar esperança e ajudá-los a desenvolver o seu próprio futuro” – i.e. formá-los.

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