Os problemas da crise de habitação que se vivem em Portugal são por demais conhecidos. Como tal, urge encontrar medidas que possam fazer face a uma das grandes preocupações e requisitos da sociedade. Contudo, Patrícia Gonçalves Costa, alerta que “há 20 anos que estamos parados na concretização de soluções habitacionais”. Esta foi uma das principais mensagens da secretária de Estado da Habitação, transmitida na conferência ‘O Choque na Habitação’, organizada pelo Jornal Económico, que decorre no Palácio do Governador, em Lisboa, esta terça-feira, 27 de janeiro.
“O aumento acentuado dos preços e a escassez de oferta levaram-nos a uma pressão crescente. Há 20 anos que nós estamos completamente parados relativamente à concretização de soluções habitacionais. Mas agora tem um expoente máximo de visibilidade que se tornou mais agravado precisamente por um fluxo de imigração muito grande”, afirmou.
Patrícia Gonçalves Costa assume que este problema não é exclusivo de Portugal e que tem vindo a ganhar maior expressão na Europa e por isso está a gerar uma grande preocupação social. “A casa é o primeiro momento para que se consiga concretizar algum equilíbrio na nossa sociedade. Nós não temos casa para jovens, não temos casa para enfermeiros, profissionais deslocados e não estou a falar nas classes mais desfavorecidas, mais vulneráveis. Não conseguimos ter um equilíbrio na nossa sociedade”, referiu.
Como tal, a secretária de Estado da Habitação considera que o país tem dois grandes desafios pela frente: aumentar a oferta de habitação pública e com isso aumentar o parque habitacional, dotando-o de qualidade. “Temos uma classe média, com os jovens a precisarem de casa pública, a casa pública de qualidade, com standards adequados, aquilo que são hoje as realidades”, salientou, realçando que o mesmo se aplica às famílias.
Para atenuar esta situação, a aposta principal do Governo passa por trazer para o mercado de arrendamento casas que se encontram num parque habitacional que atualmente está devoluto. “Os números apontam para cerca de 900 mil casas. Diria que 350 mil estariam em condições para ingressar no mercado de arrendamento”, sublinhou.
Por outro lado, Patrícia Gonçalves Costa frisou a necessidade de uma maior capacidade construtiva, relembrando que o país teve momentos em que construiu 100 mil casas por ano. “Até há dois anos atrás, nós estávamos a construir cerca de 16 mil. Não é possível. “Precisamos de uma resposta de escala com uma lógica totalmente integrada naquilo que é o produto da construção e a forma como se entrega às pessoas”, referiu.
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