Há 425 mil milhões de euros de dívida italiana nos bancos europeus. Portugal tem 1,9 mil milhões

O maior stock de dívida pública italiana – cerca de 1,5 triliões de euros – está concentrado nos balanços dos bancos de Roma e Milão. Mas as perdas podem rapidamente espalhar-se aos bancos em Frankfurt, Paris e Madrid – os principais bancos do europeus fora de Itália detém mais de 425 mil milhões de euros em dívida soberana e privada italiana. Os dados são de junho de 2018 e foram compilados pela Bloomberg, num artigo que alerta para o risco do impacto da dívida italiana numa nova crise bancária europeia.

Os dados são de junho de 2018 e foram compilados pela Bloomberg, num artigo que alerta para o risco da dívida italiana numa nova crise bancária europeia. A “yield” da dívida a 10 anos está nos 2,904% depois de sessões consecutivas de subida dos juros italianos, a partir da notícia, de 31 de janeiro, que Itália entrara em recessão técnica.

O instituto de estatística italiano confirmou no dia 31 de janeiro que a terceira maior economia da Zona Euro continuou em retração no último trimestre de 2018. O produto interno bruto (PIB) contraiu 0,2% no quarto trimestre, quando comparado com os três meses anteriores, isto já depois de no terceiro trimestre a economia ter contraído 0,1%.

A juntar-se a este indicador, foi revelado  depois que a atividade industrial do país contraiu mais em janeiro. Os analistas estimavam uma estabilização da indústria. Este resultado aumenta os receios em torno das debilidades da economia italiana. O que tem impacto no preço da dívida italiana, para refletir o seu aumento de risco, e consequente na desvalorização dos títulos de dívida no mercado secundário. Os bancos que têm a dívida italiana no balanço têm de fazer o mark-to-market do valor dos títulos, o que pode obrigar a registar perdas e abrir brechas nos rácios de capital-

Por isso, “do trade floor de Londres até aos encontros de líderes europeus em Bruxelas, há uma questão que pode provocar arrepios no mercado financeiro como nenhuma outra: a dívida italiana”, refere  o artigo da Bloomberg assinado por Giovanni Salzano, Demetrios Pogkas and Ben Sills.

“O maior stock de dívida pública italiana – cerca de 1,5 triliões de euros – está concentrado nos balanços dos bancos de Roma e Milão. Mas as perdas podem rapidamente espalhar-se aos bancos em Frankfurt, Paris e Madrid – os principais bancos do europeus fora de Itália detém mais de 425 mil milhões de euros em dívidas soberanas e privadas italianas”, diz a análise da Bloomberg aos dados da European Banking Authority (EBA).

Na lista dos bancos italianos mais expostos surge o UniCredit com 66,3 mil milhões de euros de exposição; segue-se o Intesa Sanpaolo com  47,3 mil milhões; o Banca Monte dei Paschi di Siena com 25 mil milhões; e o Banco BPM com 20,5 mil milhões. A Bloomberg recorda que  já sete bancos italianos pediram resgates nos últimos três anos, e “podem não ser os últimos”.

Fora de Itália, os bancos franceses são os mais expostos a um eventual sell-off da dívida italiana e ao seu impacto na economia que se pode espalhar pelo sistema financeiro da Europa. Os dois maiores bancos do país, o BNP Paribas e o Credit Agricole possuem bancos de retalho em Itália, refere a agência.

Os bancos franceses tinham, em junho passado 285,5 mil milhões de euros exposição creditícia às administrações públicas italiana e ao setor privado da Itália. Seguem-se na lista dos mais expostos, os bancos alemães que em junho possuíam uma exposição de 58,7 mil milhões de euros em balanço. Os terceiros mais expostos ao risco Itália são os bancos belgas num total de 25,2 mil milhões de euros. Os quartos mais expostos são os bancos espanhóis, que segundo dados da Bloomberg somam 21,4 mil milhões. Seguem-se os bancos do Reino Unido com uma exposição a Itália de 17,4 mil milhões de euros.

Os bancos portugueses têm uma exposição à dívida italiana, segundo dados da Bloomberg referentes a junho do ano passado, de 1,9 mil milhões de euros, acima dos bancos irlandeses que detém  272 milhões de dívida italiana no seu balanço.

Os restantes bancos expostos à dívida italiana, na análise da Bloomberg, são: de Malta (170  milhões de euros); do Luxemburgo (101 milhões); e do Chipre (67 milhões). Há ainda 17,4 mil milhões de euros espalhados por bancos de outros países fora da Europa.

A Bloomberg usou para esta análise os valores agregados de exposição de crédito às administrações públicas e ao setor privado da Itália, no âmbito da abordagem padronizada e baseada na classificação interna utilizada pela EBA.

Na análise banco a banco, o BNP Paribas surge como o mais exposto a Itália, com um montante de 143,2 mil milhões de euros. Segue-se o Crédit Agrícole com 97,2 mil milhões; o Société Générale com 21,2 mil milhões; o Groupe BPCE com 11,2 mil milhões de euros; o RCI Bank and Services com 6,4 mil milhões e o SFIL – Caisse Française de Financement Local com 6,3 mil milhões.

Na Alemanha, surge à cabeça com maior exposição o Deutsche Bank (29,6 mil milhões); o Commerzbank com 12,4 mil milhões; o Volkswagen Bank com 5,3 mil milhões de euros; o Aareal Bank com 4,4 mil milhões; o Deutsche Pfandbrief- bank com uma exposição a Itália de 2,1 mil milhões e o NRW Bank  também com 2,1 mil milhões.

Na Bélgica é o Dexia o mais exposto (23,1 mil milhões). Em Espanha, o BBVA tem 13,2 mil milhões; o Sabadell 6 mil milhões e o Abanca 2,3 mil milhões de euros.

Por fim o Barclays tem uma exposição à dívida italiana de 17,4 mil milhões de euros.

Um governo populista propenso a lutas internas e em constante desacordo com a União Europeia é o que torna a situação atual tão arriscada, refere a agência noticiosa. “Itália precisa emitir mais de 400 mil  milhões de euros por ano para manter o Estado em funcionamento, uma situação que obriga os bancos domésticos a comprar cada vez mais dívida soberana”, refere a notícia. Uma espiral de crise de dívida soberana  poderia voltar a arrastar o sistema bancário para uma nova crise financeira, diz a Bloomberg.

Embora a economia da Itália tenha entrado em recessão no quarto trimestre, os mercados estão calmos por enquanto, salienta no entanto a Bloomberg que adverte ainda assim que um novo impasse orçamental, como o que se verificou no outono passado, pode mudar tudo, tal como o demonstrou a última crise orçamental.

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