‘Hackathons’ cívicos abertos para a cidadania

Estas maratonas funcionam num ambiente colaborativo de 24 ou 48h, com o propósito de desenvolver novos serviços para melhorar a qualidade da vida cotidiana das cidades. Vamos explorar esta oportunidade.

O verbo to hack, em inglês, leva-nos para o mundo do crime cibernético e tem uma conotação negativa. Mas se fosse o meio para, juntos, solucionarmos um problema específico do nosso bairro através da participação criativa?

O desenvolvimento tecnológico das últimas décadas tornou possível armazenar grandes quantidades de dados sobre diferentes aspetos da nossa vida pública ou privada nas cidades. À medida que os governos locais compartilham os seus dados abertos, os hackers cívicos respondem com aplicações que usam esses dados municipais para gerar conteúdos ou fornecer serviços para questões de importância cívica partilhada.

A apropriação das tecnologias digitais na reinvenção de práticas de construção dos comuns urbanos e de formas alternativas de governança sustentável da cidade, tem sido promovida em maratonas digitais de cocriação denominadas hackathons cívicos. Uma forma de melhorar os processos e sistemas do governo das cidades com atos de cidadania. Estas maratonas reúnem programadores de software, funcionários do governo local, grupos de interesse, empresas, startups e cidadãos, num ambiente colaborativo de 24 ou 48h, com o propósito de desenvolver novos serviços para melhorar a qualidade da vida cotidiana das cidades.

A iniciativa Open4Citizens alerta para a lacuna entre as oportunidades oferecidas pela abundância de dados abertos e a capacidade dos cidadãos de imaginar novas maneiras de os usar. Vários projetos europeus têm sensibilizado os cidadãos para a oportunidade oferecida pelas maratonas de programação na criação de uma nova cultura de inovação nos serviços públicos.

Os municípios, graças aos dados abertos, têm aproveitado a conexão direta com as comunidades de desenvolvimento local para gerar aplicações inovadoras e mudar a forma como vivemos, nos movemos no espaço público, usamos a cidade e o território. Compreenderam, também, que pode ser a oportunidade para capacitar os cidadãos de novas competências digitais.

Em todo o mundo, temos vários exemplos de maratonas de programação promovidas pelos municípios para que os  governos  locais se tornem mais acessíveis, responsáveis e transparentes na definição de respostas integradas e coesas. Destacam-se o “Reinvent NYC” promovido pelo mayor da cidade, Michael Bloomberg, em 2011, o “City of Paris, 2016” com foco na segurança urbana, ou a “Open Hack Night” promovida em Chicago, todas as terças-feiras a uma hora específica, com o objetivo de desenvolver aplicações que ajudem a monitorizar o crime, o lixo  na cidade ou questões de saúde.

Em Portugal, estes eventos também têm vindo a conquistar terreno. Como é o caso, em Lisboa do hackaBIP  que nos desafia a pensar o bairro, no âmbito da programação dos 10 anos do BIP/ZIP – Bairros e Zonas de Intervenção Prioritária. Voltado para o desenvolvimento local, encoraja os hackers cívicos nacionais, a academia, empresas e ecossistema da inovação social ao desenvolvimento de ferramentas digitais acessíveis, transparentes e flexíveis que contribuam para a afirmação da democratização do conhecimento na melhoria da qualidade urbana da cidade de Lisboa.

Vamos explorar esta oportunidade. Ideias e criatividade afinadas. Torne-se num hacker cívico do seu bairro.

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