Hospital de Santa Maria avisa que sistema de saúde vai colapsar em 15 dias se ritmo da pandemia continuar imparável

O hospital de Santa Maria diz estar “no limite” depois de procura subir 70% em 15 dias. O presidente do conselho de administração do hospital avisou hoje que se a pandemia continuar a evoluir ao ritmo atual o sistema de saúde nacional colapsa em 15 dias. Portugal registou hoje o pior dia da pandemia em 10 meses com número recorde de mortes e casos confirmados.

A fotografia foi publicada perto das 23 horas de sexta-feira, 15 de janeiro, nas redes sociais (ver no final do texto) e mostra sete ambulâncias à porta das urgências do hospital Santa Maria em Lisboa à espera de deixar doentes suspeitos de terem Covid-19.

Em reação à imagem, a administração do hospital avisa que está perto do limite e espera que a situação da pandemia acalme nos próximos 15 dias, caso contrário o sistema de saúde não vai conseguir dar resposta à Covid-19.

“Não há serviços de saúde que resistam de forma ilimitada. Este hospital, de fim de linha, já está a tratar doentes para além da capacidade que instalou. Isto é um alerta porque fenómenos de picos, como ocorreu ontem ou pode ocorrer nos próximos dias, são expectáveis numa situação em que a capacidade do sistema está muito próxima do limite”, disse este sábado, 16 de janeiro, Daniel Ferro, presidente do conselho de administração do hospital Santa Maria.

“Esperamos que em duas semanas esta situação [pandemia da Covid-19] fique controlada. Em 15 dias, a procura cresceu 70%, se nos próximos dias crescer mais 80% a 90% não há capacidade do sistema. É preciso que esta situação estabilize e estabilize mesmo”, avançou o responsável.

As declarações foram feitas no mesmo dia em que Portugal registou o pior dia desde o início da pandemia há 10 meses, com número recorde de mortes (166) e número recorde de novos casos (10.947).

O responsável rejeitou que tenha havido uma situação de “caos” na noite passada. “Não há situação de caos, há situações de picos. Os serviços tem a capacidade de absorver a procura, mas há momentos em que se essa procura for três vezes [superior], e ao mesmo tempo, isto introduz congestionamentos.

Além da procura elevada registada neste hospital, Daniel Ferro aponta que existem outras duas causas para os congestionamentos. “A procura vem de três ou quatro hospitais que não podem receber doentes”, e estes doentes têm um “processo demorado de diagnóstico, o tempo é superior, têm que fazer testes e estabilizar, 10 doentes é uma coisa, 40 doentes é outra, quer o espaço, quer as equipas tornam-se insuficientes, foi o que aconteceu ontem”.

“Estamos próximos do limite mas ainda com capacidade de adaptação”, afirmou, revelando que foram acrescentadas 50 camas às 210 já existentes, das quais 10 dizem respeito a cuidados intensivos.

Apesar do reforço da capacidade, esta está a ser feita numa situação de “sobre esforço”. “Das cinco unidades Covid em funcionamento, três são unidades novas, espaços que nao tem a ver com unidades de cuidado intensivo. Cada unidade tem quase 70 a 80 profissionais”.

“A pressão de doentes Covid é igualmente forte, as instituições estão com dificuldades e é natural que quando surjam picos, como os que tem surgido, procuramos minimizar, mas estamos no limite”, disse o responsável.

 

Ambulâncias fazem fila à porta de hospitais em Lisboa e Torres Vedras

Nas últimas 24 horas, foram publicadas nas redes sociais fotografias e vídeos a darem conta de muitas ambulâncias à porta das urgências, com os hospitais a não conseguirem dar resposta.

No hospital Santa Maria em Lisboa, uma fotografia mostra seis ambulâncias à porta das urgências. Em Torres Vedras, um vídeo mostra cerca de 10 ambulâncias à porta do hospital à espera para deixar doentes.

O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses denunciou hoje que há doentes a passarem “horas nas macas das ambulâncias”, sem conseguirem lugar nos hospitais.

“Chegamos aos hospitais, não há macas, e muitas vezes eles estão horas nas nossas macas, alguns dentro das próprias ambulâncias, a ponto de já terem morrido cidadãos dentro das próprias ambulâncias, e muitas vezes as nossas macas ficam lá retidas, nos corredores, nas urgências, onde efetivamente esses hospitais se servem do nosso equipamento para garantir o resguardo dos doentes, já que não têm capacidade com camas, nem com macas”, disse Jaime Marta Soares à Lusa.

O hospital de Santa Maria reconheceu que existe uma “grande pressão assistencial”, mas rejeita que haja uma “situação de caos”.

Esta unidade conta com 201 internados com Covid-19, 44 na unidade de cuidados intensivos (UCI).O hospital diz que “perante a grande pressão na urgência dedicada a doentes respiratórios e nos internamentos, o Centro Hospitalar de Lisboa Norte alargou o plano de contingência covid”.

Em Torres Vedras, o hospital reconheceu que a última noite “foi muito complicada”.

“A situação esteve muito complicada, porque não havia lotação e tivemos de criar mais uma enfermaria com 21 camas”, disse a presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar do Oeste (CHO), Elsa Baião, à agência Lusa.

Desta forma, a capacidade internamento para a Covid-19 aumentou de 45 para 66 camas.

A responsável adiantou que “a situação é mais preocupante por causa do surto ativo [com um total de 157 casos] dentro da unidade, motivo pelo qual as equipas estão mais reduzidas, e por ser uma região com um número elevado de camas de lar”, segundo a Lusa.

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