A Inteligência Artificial (IA) generativa foi a tecnologia a chegar mais rapidamente a mil milhões de pessoas. Desta forma, a IA ultrapassou, em rapidez, tecnologias que mudaram o curso da humanidade como a eletricidade, a internet, rádio, telemóvel ou o smartphone.
O dado foi revelado hoje pela Microsoft que destacou a importância da IA nos próximos tempos, no mesmo dia em que anunciou que a tecnológica americana vai investir 10 mil milhões em chips da Nvidia para instalar no centro de dados de Sines para alimentar a máquina de IA da companhia.
“A IA generativa arrancou mais depressa do que outras tecnologias, chegou a mil milhões de pessoas mais rapidamente”, disse hoje o presidente da Microsoft na Web Summit.
A IA generativa é usada para criar conteúdos como texto, vídeo, imagens, música ou código de programação através de aplicações como o ChatGPT, Copilot, Gemini ou Grok.
Um dos problemas, apontou, é que a “tecnologia falha em chegar a todos”, como em África onde mais de 40% da população ainda não tem acesso a eletricidade.
Na corrida global para a construção de infraestruturas de IA, os EUA e a China estão a liderar, com mais de 80 gigas de capacidade instalada. “O futuro pertence a quem usar IA”, declarou Brad Smith.
Além da capacidade instalada, também apontou para a percentagem da população que usa IA generativa, com países diferentes a surgirem no topo, como os Emirados Árabes Unidos, Singapura ou Noruega.
Um dos problemas será a divisão do mundo entre quem usa IA e quem não usa. Em todo o mundo, existem 8,1 mil milhões de pessoas, com 7,4 mil milhões a terem eletricidade e 5,5 mil milhões com acesso à internet. Destes, 4,2 mil milhões tem aptidões digitais. Conclusão: 3,9 mil milhões de pessoas serão deixadas para trás na corrida global à IA, destacou.
Dentro dos próprios países, existe esta divisão da IA, dando até o exemplo de Portugal, onde a IA é mais usada na região de Lisboa (38%) versus os distritos de Beja, Évora, Portalegre e Santarém com as percentagens mais baixas do país, abaixo de 7% de uso (ver mapa infra).
A IA vai ser usada em aplicações para “resolver problemas das pessoas” que “tornam a vida das pessoas melhor”. Mas a vaga de IA não “vai avançar” se a “única coisa de que falamos é da tecnologia em si”, apontando para a necessidade de “talento” e também de criar “confiança na tecnologia”, defendendo que a companhia tem de adaptar-se às “necessidades do mundo”, com respeito pela “privacidade”.
O gestor também destacou que atualmente o inglês domina os modelos de IA que estão a ser desenvolvidos são em inglês na sua maioria, com as “outras línguas a ficarem subrepresentadas”, defendendo que há espaço para fazer “mais conteúdo” noutras línguas.
A língua portuguesa é um dos casos mais gritantes quando o número de falantes da língua (236 milhões) versus o conteúdo usado para treinar grandes modelos de linguagem (2%). O inglês lidera, com 380 milhões de falantes versus 46% de conteúdo.
Sobre a iniciativa europeia para regular a IA (o AI Act), considera que é preciso IA “responsável” e que “não é preciso uma lei para fazer as coisas corretamente”.
“Temos a oportunidade para construir melhor tecnologia”, rematou o executivo.
A Microsoft anunciou hoje o seu “maior investimento” já realizado em Portugal. A companhia vai comprar chips da Nvidia para instalá-los no centro de dados da Start Campus em Sines.
A compra dos 12,6 mil semicondutores vão servir para “suportar cargas de trabalho avançadas de Inteligência Artificial (IA) em vários setores”, anunciou hoje a companhia.
“Esta iniciativa representa o maior investimento da Microsoft em Portugal e o maior negócio de data centers alguma vez realizado no país”, acrescentou.
A tecnológica anuncia que irá investir mais de 10 mil milhões de dólares a partir do início de 2026. “Trata-se também de um dos maiores investimentos em capacidade computacional de IA na Europa, posicionando Portugal como líder no desenvolvimento de IA escalável, segura e sustentável”, segundo a companhia tecnológica americana.
O investimento foi revelado inicialmente pelo “Jornal de Negócios” esta terça-feira.
“Esta parceria reflete a nossa confiança no potencial de Portugal para liderar a próxima vaga de inovação em IA”, disse Brad Smith, presidente da Microsoft.
“Ao reforçar a infraestrutura nacional de IA através da colaboração com a Nscale, a NVIDIA e a Start Campus, estamos a ajudar a posicionar Portugal como referência para o desenvolvimento responsável e escalável de IA na Europa. Não se trata apenas de tecnologia — trata-se de criar capacidade, confiança e oportunidades para o futuro”, acrescentou o gestor.

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