A IKEA entrou no mercado de usados com o lançamento da sua plataforma Preowned. Aqui, os clientes podem vender, exclusivamente, artigos da marca sueca em segunda mão a outros clientes.
Testada primeiramente em Oslo e Madrid, a plataforma instalou-se na Noruega e Espanha, mas agora chega a Portugal, sendo este o primeiro mercado onde vai estar logo disponível em todo o território.
Com esta iniciativa, passa a ser possível, pela primeira vez, “um consumidor da empresa vender artigos da IKEA em todo o país, mesmo sem ter lojas físicas”, referiu Maria João Franco, digital portfolio & deployment leader da IKEA Portugal.
Os dados mostram que 60% das pessoas em Portugal já compram ou vendem artigos em segunda mão e que 10% destes produtos são da IKEA. “Portanto, há aqui um potencial não só de negócio, mas também de inovação”, afirmou Maria João Franco.
A digital portfolio & deployment leader da empresa salientou que a ideia da marca é “estar cada vez mais acessíveis à maioria dos portugueses, não só a nível de expansão, mas também com novos formatos. A ideia é estarmos mais perto do consumidor e com novos serviços”.
A entrada no mercado português deu-se primeiramente para os colaboradores da IKEA, que foram utilizando a plataforma, colocando artigos à venda, de forma a perceber “o que era preciso melhorar”. Em dois dias, a plataforma contou com 167 artigos, 10.200 sessões e 9.100 utilizadores.
“A plataforma é bastante intuitiva e simples. Quando vendemos um artigo, são disponibilizadas fotografias do artigo original, vendido no site da IKEA, assim como a descrição deste e informa-nos sobre o preço original de venda”, revela.
Sobre o método de pagamento, são dadas duas opções: receber o valor total da venda ou receber em cartão de reembolso da IKEA, sendo que a empresa dá um acréscimo de 15% sobre o valor da venda, permitindo que se possa gastar durante um ano em compras nas lojas da marca.
Outra curiosidade nesta plataforma é que o pagamento fica retido até o cliente receber o produto e dar o “ok” de que este se encontra nas condições explicadas pelo vendedor. Para garantir que os produtos colocados à venda estão nas mínimas condições e que são de facto produtos IKEA, a equipa da marca faz uma filtragem destes antes que sejam disponibilizados na plataforma, sendo que, caso não sejam da marca IKEA ou não estejam em condições de venda, podem ser rejeitados.
Ao colocar o produto à venda, a plataforma sugere um preço. No entanto, o vendedor é quem decide qual o preço final que pretende atribuir, sendo que este não é um motivo de rejeição do artigo.
Toda a gama da marca pode ser vendida; contudo, há três exceções: eletrodomésticos, colchões e comida.
A plataforma “continua a ser um teste, porque nada disto é fechado para o resto do futuro”, sublinha Maria João Franco.
A marca tem vindo a apostar em serviços circulares, tendo já a categoria ‘oportunidades’, que é a “preferida de muitos clientes”.
O lançamento nas cidades de Madrid e Oslo deu-se porque “este marketplace é muito diferente do nosso modelo de negócio”, revelou Mercedes Gutiérrez, new business platform category manager do Ingka Group. “Somos iniciantes no marketplace, portanto temos de atrair vendedores e consumidores, sendo que, na parte dos consumidores, já temos experiência”, sublinha.
Para a escolha das cidades, a marca sueca “perguntou” aos países “quais é que teriam mais interesse e eram mais ativos para este tipo de projeto. Na Noruega, mostraram interesse e são muito ativos no consumo em segunda mão”, referiu Mercedes Gutiérrez.
Até ao momento, as categorias mais procuradas têm sido os itens de produtos de criança, arrumação e quarto.
Antes de escalar a plataforma para mais países, a IKEA espera encontrar “a fórmula certa” e testar mais antes de partir para os restantes mercados.
Por agora, a marca não partilha o valor do investimento na plataforma, pois ainda está numa fase de testes e necessita de melhorias.
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