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Incêndios com forte impacto na produção nacional de castanha

Portugal é um dos maiores produtores mundiais de castanha. Concentrada no norte e centro do país, a produção não podia deixar de ser afetada pelos fogos. A associação do setor fala em 80% da produção afetada e antecipa um enorme aumento dos preços.
21 Agosto 2025, 09h14

Portugal é o oitavo maior produtor mundial de castanha, com a maioria da produção a destinar-se à exportação. Os incêndios que este ano se concentram no norte e centro do país não podiam deixar de afetar a produção, com perdas que podem ascender a entre 20 a 22 milhões de euros, de acordo com estimativas preliminares da Associação Portuguesa da Castanha, citada pelo jornal Eco.

Em 2024, a superfície de souto em Portugal atingiu 51.174 hectares (ha), com a maior área a localizar-se na região norte e centro do país, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). A produção total no país alcançou 27.159 toneladas, com Trás-os-Montes a ser a região agrária com o maior contributo (20.398 toneladas), seguida pela Beira Litoral (3.155 toneladas) e pela Beira Interior (1.881 toneladas). China, Espanha Bolívia, Turquia, Itália, Coreia e Grécia, são os países que se encontram à frente de Portugal em termos de volume de produção.

Os múltiplos incêndios rurais de grande dimensão que assolam o país desde julho, sobretudo nas regiões norte e centro, estão a afetar fortemente os produtores. José Gomes Laranjo, um dos elementos da associação, aponta para “80% da produção deste ano afetada” pelos incêndios. “Na parte norte da região centro, estamos a falar de cerca de seis ou sete mil hectares de martaínha – a variedade de castanha mais consumida – em cerca de 30 mil a 40 mil hectares que já arderam naquela zona”, destaca o responsável da Associação Portuguesa da Castanha. “Podem representar 20 a 22 milhões de euros de produção perdida este ano“, refere àquele jornal.

A produção deste fruto em Portugal tem vindo a crescer nos últimos anos, depois da quebra registada em 2022 e 2021. Contudo, ainda fica aquém das 42.183 toneladas registadas em 2020 e manteve-se, em 2024, abaixo do seu potencial, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística. No ano passado, a produtividade média dos soutos no país foi de 531 kg/ha, atingindo os 2.322 kg/ha na Beira Litoral.

Com os incêndios, a produção deverá cair novamente este ano. “Dos 80% afetados, talvez 40% estejam irremediavelmente perdidos e poderão vir a carecer de novas plantações, um prejuízo que se vai prolongar por meia dúzia de anos“, realça José Gomes Laranjo.

De acordo com dados do INE, em 2024, o país vendeu ao exterior cerca de 7,4 milhões de quilos deste fruto, o correspondente a mais de 22,3 milhões de euros. Números que representam uma queda de 36,6% no volume exportado e 16,6% em valor. Em 2024, Espanha, Itália, Brasil, França e Alemanha são os cincos principais destinos das vendas portuguesas.


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