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“Incerteza tornou-se certeza” nos mercados, refere diretor de estratégia da Caixa Gestão de Ativos

Durante a sua apresentação sobre as “tendências económicas e de mercados financeiros”, o diretor de estratégia referiu que o “tema da incerteza foi o que esteve mais presente em 2025, mas também em 2020,  mas a economia resistiu, todos resistimos”.
3 Março 2026, 17h54

Rui Martins, diretor de estratégia da Caixa Gestão de Ativos, afirmou que “a incerteza tornou-se a certeza de que as coisas vão ser incertas” durante o evento Fora da Caixa, realizado em Sines, pela Caixa Geral de Depósitos, do qual o Jornal Económico é media partner.

Durante a sua apresentação sobre as “tendências económicas e de mercados financeiros”, o diretor de estratégia referiu que o “tema da incerteza foi o que esteve mais presente em 2025, mas também em 2020,  mas a economia resistiu, todos resistimos”.

“Em 2025 tivemos um crescimento económico superior ao que todos achávamos, efetivamente a economia americana abrandou, mas menos do que era esperado”, salienta. Já para 2026 é esperado que a economia da “China abrande, a Europa abrande, mas a fotografia é de resiliência”.

Rui Martins relembra que o Liberation day, o dia em que o presidente norte-americano lançou as primeiras tarifas comerciais “mudou as perspetivas, mas o consumidor norte-americano adaptou-se e estas foram revistas em alta”.

O diretor de estratégia da Caixa Gestão de Ativos salienta que a inflação, um dos indicadores favoritos da Reserva Federal (Fed) e do BCE está num bom caminho, estando no objetivo da União Europeia (UE), e ligeira acima do objetivo da Fed. Contudo, a escalada dos preços no barril de petróleo pode “ter impactos na inflação”, principalmente se aumentar 50 dólares.

Para Rui Martins no que toca às taxas diretoras, o Banco Central Europeu (BCE) já as “reduziu substancialmente”, tendo o seu ciclo de cortes ter “terminado”,  sendo agora a questão “quando vão subir as taxas de juro”. Já  Fed, é esperado que nos próximos trimestres as desça e que estas cheguem aos 3%.

“Neste momento há duas forças antagónicas, ou o mercado de energia pode fazer com que a inflação acelere, ou pode acelerar o crescimento económico. Ambas são muito sensíveis aos bancos centrais”, reflete.

A situação atual, com a escalada do conflito no Médio Oriente, tem feito o preço do petróleo e do gás disparar, com um risco claro para o Estrito de Ormuz. Esta situação está a criar “uma grande aversão ao risco”.

“Investidores estão focados em dois cenários, numa guerra controlada ou num conflito alargado”, refere, sublinhando que estes cenários causam uma disrupção substancial nas cadeias e uma possível estagnação económica em alguns países, contudo, destaca que há um terceiro cenário, “a reintegração do Irão e a estabilização de toda aquela zona. Se houver uma transição de regime, podemos ter uma reintegração do irão nas cadeias”.

Rui Martins relembra que o evento mais disruptivo que tivemos foi em 1973, com a guerra de yom kippur, quando o mercado de ações norte-americano caiu e teve um desempenho negativo.


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