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Índigenas ocupam terminal portuário em protesto contra exploração dos rios da Amazónia

De acordo com a Agência France Presse (AFP), os manifestantes estavam acampados há mais de um mês junto à entrada do terminal, em Santarém, no estado do Pará. Reagindo a uma ordem judicial, que visava a retirada dos manifestantes do local, estes invadiram as instalações, ocupando, em particular, as salas onde estão os sistemas de vigilância.
22 Fevereiro 2026, 14h27

Cerca de uma centena de indígenas ocuparam no sábado um terminal portuário da multinacional agroindustrial Cargill, no norte do Brasil, em protesto contra a exploração dos rios da Amazónia para o transporte de cereais.

De acordo com a Agência France Presse (AFP), os manifestantes estavam acampados há mais de um mês junto à entrada do terminal, em Santarém, no estado do Pará. Reagindo a uma ordem judicial, que visava a retirada dos manifestantes do local, estes invadiram as instalações, ocupando, em particular, as salas onde estão os sistemas de vigilância.

Num comunicado enviado à AFP, a Cargill indicou que as atividades no terminal foram interrompidas, referindo-se a “episódios violentos decorrentes de um conflito em curso entre as autoridades governamentais (brasileiras) e as comunidades indígenas”.

Os manifestantes exigem a revogação de um decreto, assinado pelo presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva em agosto, que define os principais rios da Amazónia como prioritários para a navegação de mercadorias e a expansão de portos privados.

“Enquanto o decreto não for revogado, permanecemos aqui”, disse a líder indígena Alesandra Korap, do povo Munduruku, em declarações à AFP.

As comunidades indígenas brasileiras opõem-se à expansão portuária e, em particular, à dragagem dos rios, que consideram vitais para o seu modo de vida.

Há duas semanas, o governo brasileiro anunciou a suspensão da dragagem do rio Tapajós, um importante afluente do Amazonas, “face à mobilização dos povos indígenas e (…) em sinal de diálogo”.

Uma medida considerada insuficiente por Alessandra Korap: “o governo tentou enganar-nos”.

Numa grande estrutura metálica sobre o terminal, os manifestantes penduraram um grande cartaz onde se lê “não à dragagem”.

A Cargill, no comunicado enviado à AFP, apelou às “partes diretamente envolvidas para que priorizem a segurança, iniciem um diálogo construtivo e trabalhem numa resolução que permita a retoma das operações”.

“Se o pessoal da Cargill quer que nos vamos embora, que pressionem o [presidente] Lula”, afirmou Alessandra Korap.

A multinacional agroindustrial Cargill, com sede no Minnesota, no centro-norte dos Estados Unidos, tem operações de logística agrícola em todo o Brasil, onde emprega cerca de 11 mil pessoas.

Na sexta-feira, ativistas indígenas também se manifestaram junto às instalações da Cargill em São Paulo.

“A dragagem vai poluir o rio, que deixará de ser um bem de toda a Humanidade para se tornar um bem que pertence a uma propriedade” privada, disse à AFP um dos manifestantes, Thiago Guarani.

O Brasil é o maior exportador mundial de soja e milho e, nos últimos anos, tem optado pelos portos fluviais do norte para reduzir o custo da exportação de cereais.


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