INE. Número de óbitos entre março e abril diminuiu para valores pré-pandemia

Os dados do Instituto Nacional de Estatística revelados esta sexta-feira revelam que, nos meses de março e abril, foram registadas 17.984 mortes em todo o país. O número corresponde a menos 16,9% dos óbitos contabilizados em igual período homólogo de 2020.

O número de óbitos registados entre março e abril diminuiu para valores pré-pandemia, de acordo com dados divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O relatório do INE revela que, nos meses de março e abril, foram registadas 17.984 mortes em todo o país, o que corresponde a menos 16,9% dos óbitos contabilizados em igual período homólogo de 2020.

“Nos meses de março e abril de 2021, o número de óbitos continuou a decrescer atingindo valores abaixo dos registados nos mesmos meses de 2020, representando a possibilidade de início da retoma da mortalidade a valores de anos anteriores à pandemia”, lê-se no relatório do INE.

No mês de março, foram contabilizados 9.598 óbitos em todo o território nacional, menos 1.019 do que em 2020 (menos 9,6%). Desses, 508 mortes foram devido à Covid-19, o que representa 5,3% do total de óbitos. Já no mês de abril, houve 8.386 óbitos em Portugal, menos 2.036 que em igual período do ano passado (menos 19,5%), e desses apenas 1,4% do total de óbitos foram por Covid-19.

A diminuição do número de mortes em Portugal acontece depois de em janeiro se ter registado “o maior valor mensal observado desde o início da pandemia”, com um total de 19.634 óbitos. O número correspondeu a um aumento de 65,5% face a janeiro de 2020 (pré-pandemia). Dos 19.634 óbitos registados, 5.785 foram por Covid-19, o que corresponde a 29,5% da mortalidade nesse mês.

O mês de fevereiro foi também “superior ao valor homólogo de 2020”, com mais 28,7% de mortes registadas face a fevereiro de 2020, apesar de ter havido uma redução no número de mortes para 12.716. Neste mês, o número de óbitos por Covid-19 foi de 3.594, “o segundo mais elevado a seguir ao mês de janeiro, correspondendo a 28,3% do total dos óbitos”, segundo os dados divulgados pelo INE.

A quarta semana de janeiro (entre os dias 25 a 31) foi a que registou “o maior número de óbitos por Covid-19” (2.036), “iniciando-se a partir de então uma tendência decrescente”.

Portugal entre os países da UE com mais mortalidade

“Considerando o indicador ‘excesso de mortalidade’ calculado pelo Eurostat, que compara o número de óbitos
registados em cada mês, nos países da União Europeia e da EFTA, com o número médio de óbitos mensal no
período 2016-2019, Portugal foi, no mês de janeiro, um dos países com maior excesso de mortalidade num total de
30 países europeus: mais 60,2% de óbitos que a média de 2016-2019”, indica o INE.

Segundo o INE, Portugal ficou na segunda posição no ranking de países com mais mortes mensais, apenas atrás da Eslováquia (mais 73,4% face à média europeia). No entanto, em fevereiro deste ano, “o excesso de mortalidade reduziu-se em Portugal e na maioria dos países”. Nesse mês, Portugal apresentou um excesso de mortalidade de 24,2%, ocupando a terceira posição, atrás da Eslováquia (+67,0%) e da República Checa (+40,3%).

Em março, Portugal registou “um excesso de mortalidade negativo de 4,8%, refletindo a redução da mortalidade para valores abaixo da média de 2016-2019 e a retoma dos valores de óbitos pré-pandemia”.

O INE explica, no entanto, que “pelo maior risco de óbito por Covid-19 apresentado pela população mais idosa, países com uma população mais envelhecida podem ser mais penalizados, apesar da estrutura etária das populações ser apenas um dos múltiplos fatores que podem explicar as diferenças no excesso de mortalidade”.

Na análise da relação entre a percentagem de população com 80 anos e mais e o excesso de mortalidade, Portugal destacou-se, em janeiro, como um dos países em que a associação entre essas duas variáveis era “mais forte”, com uma percentagem de população idosa elevada (6,6%) e um acréscimo de mortalidade elevado (60,2% relativamente à média 2016-2019).

Já em março, registou um excesso de mortalidade negativo (-4,8%), “em resultado da aplicação de medidas mais restritivas para contenção da pandemia, onde se incluíram restrições à mobilidade e o contacto social, aplicadas desde meados de janeiro, e da generalização da vacinação entre a população mais idosa”, nota o INE.

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