Inés Arrimadas: uma cidadã a dirigir o Ciudadanos

Nasceu na Andaluzia, mas foi na Catalunha que se tornou politicamente conhecida dos espanhóis. Chegou a ganhar as eleições para a Generalitat mas não conseguiu formar governo. Não vai ter concorrência à liderança do partido que Albert Rivera abandonou.

Inés Arrimadas, que cumpriu a difícil tarefa de colocar a direita liberal do Ciudadanos no mapa eleitoral da Catalunha, será a mais que provável futura líder do partido, substituindo Arbert, que não sobreviveu politicamente à terrível noite eleitoral de 10 de novembro passado. O JE já a seguir às eleições de 28 de abril tinha escrito que Inês Arrimadas poderia ser levada a avançar se se confirmasse que o partido estava a dirigir-se para o abismo da irrelevância política em Espanha.

“Na vida, em situações difíceis é quando é preciso dar um passo em frente”, disse a catalã – que não é especialmente fluente na língua – citada pelos jornais espanhóis. Os analistas afirmam que não havia outro candidato possível a não ser Inés Arrimadas – e isso mesmo ficou claro no interior do partido desde a última segunda-feira, quando Rivera abandonou a liderança e, diz, a carreira política.

Arrimadas, porta-voz parlamentar e líder da lista em Barcelona, deu um passo em frente quase por aclamação, com os seus pares a fazer todos os esforços para que avance. E quando o fez, todos os restantes possíveis candidatos saíram do caminho. Aos 38 e depois de vencer as últimas eleições regionais na Catalunha – apesar de não ter conseguido formar governo – Arrimadas será assim chamada a assumir as rédeas do partido na era pós-Rivera – ele que já a tinha ido buscar a Barcelona para lhe dar um lugar de destaque nas Cortes.

Embora já pareça tudo decidido, o Ciudadanos ainda está numa fase muito preliminar do processo sucessório; sete dias após a renúncia de Rivera, o partido ainda não estabeleceu o calendário. O executivo cessante está em funções até 30 de novembro e um congresso para a eleição do novo executivo e da nova liderança não será realizado até 10 de março, dado que os estatutos assim o estipulam.

Até lá, muita coisa se passará na política espanhola, desde logo o que irão fazer os dez deputados do partido em relação à investidura de Pedro Sánchez, o socialista que ganhou as eleições e consegui ‘desencantar’ uma coligação com o Unidas Podemos.

Arrimadas, como provável nova líder e como presidente e porta-voz do grupo parlamentar, terá um peso decisivo na questão. E sua posição parece ser a mesma de Rivera: os dez deputados não pactuarão com um  governo de coligação entre o PSOE e o Unidas Podemos, e por isso não irão abster-se, mas sim votar contra a investidura.

Mas Inés Arrimadas enfrenta a sua primeira grande prova de fogo: se o Ciudadanos insistir na recusa em alinhar com o PSOE – e há que não esquecer que Albert Rivera chegou a colocar a hipótese de o fazer – a a coligação pode ficar refém da Esquerda Republicana da Catalunha.

Um partido que Arrimadas conhece bem: foi em confronto direto com esta formação de esquerda que a futura líder se tornou conhecida de todos os espanhóis.

Inés Arrimadas também tem a tarefa, igualmente árdua, de montar um novo projeto para o partido, na tentativa de o tirar da situação de irrelevância política em que se encontra – depois de, há muito pouco tempo, parecer ter a hipótese de se transformar na segunda força política de Espanha e de disputar o poder diretamente com o PSOE.

Aparentemente, os espanhóis não consideraram aceitável que Rivera se mantivesse irredutível em relação a uma aliança com o PP – que em determinada altura dava mostras de poder vencer o PSOE – e os eleitores do partido acabaram por rumar para os braços dos populares, mas principalmente da extrema-direita do Vox.

Inés Arrimadas, que está grávida, nasceu de facto na Andaluzia mas vive na Catalunha desde 2006. É advogada. Em 2015, foi candidata ao Parlamento da Catalunha, representando Barcelona – o partido conseguiu um total de 25 lugares no Parlamento. Em janeiro de 2016, a presidente do Parlamento, Carme Forcadell, nomeou-a formalmente líder da oposição, embora Arrimadas tenha renunciado aos privilégios dessa condição.

Em maio de 2017, ganhou as primárias do partido e assumiu a candidatura à presidência da Generalidade da Catalunha. Nas eleições de 21 de dezembro de 2017, o seu partido vai saiu vencedor, tanto em número de votos como em assentos no Parlamento, mas Arrimadas não conseguiu formar maioria para aprovar sua candidatura à presidência da Generalidade catalã.

Em 23 de fevereiro de 2019, anunciou que encabeçaria a lista do seu partido ao Congresso dos Deputados pela circunscrição de Barcelona, nas eleições gerais daquele ano. Estava lançada a nível nacional.

 

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