[weglot_switcher]

ING alerta que conflito prolongado no Médio Oriente produziria “choque de proporções históricas” no gás natural

O ING salienta que um conflito prolongado no Médio Oriente também poderia provocar correções nas bolsas, interrupções nas cadeias de abastecimentos, e a dilemas nos bancos centrais.
4 Março 2026, 08h41

A instituição financeira e bancária ING antecipou na segunda-feira dois cenários para os mercados consoante a duração do conflito que rebentou entre Estados Unidos, Israel e Irão no passado fim-de-semana. No cenário mais pessimista, que seria uma retaliação iraniana que obrigue à ação norte-americana trazendo uma guerra sem fim à vista, poderia levar a “um choque de oferta de proporções históricas” no gás natural, a correções nas bolsas, interrupções nas cadeias de abastecimentos, e a dilemas nos bancos centrais.

No cenário mais pessimista, avançado pelo ING, que seria uma guerra sem fim à vista, os ataques continuariam “indo além dos alvos militares fixos, atingindo as infraestruturas e os ativos móveis, reduzindo o ritmo operacional, mas prolongando o calendário indefinidamente”.

Neste cenário o Irão, “encurralado e com a sobrevivência do regime em risco, intensifica a guerra económica assimétrica com o assédio contínuo ao tráfego de petroleiros, a ativação de ataques houthis contra navios no Mar Vermelho e tentativas de interromper o Estreito de Ormuz”, antecipa o ING.

“Mesmo uma interrupção parcial num ponto de estrangulamento que movimenta 20 milhões de barris de petróleo por dia e mais de 100 mil milhões de metros cúbicos de GNL (gás natural liquefeito) anualmente produz um choque de oferta de proporções históricas. Toda a região se torna instável. As implicações para o mercado são materialmente diferentes: o petróleo a aproximar-se dos 100 dólares e mais além, uma correção genuína do mercado bolsista, uma fuga para as obrigações que se mantém em vez de se inverter, uma interrupção prolongada da cadeia de abastecimento tanto para a China como para a Europa e um dilema para os bancos centrais que não tem uma resposta clara”, alerta o ING.

O cenário mais otimista do ING aponta para um conflito que duraria entre quatro a sete dias, seguidos de incerteza interna no Irão.

“Os ataques dos Estados Unidos e de Israel esgotam rapidamente os alvos militares fixos, o ritmo operacional abranda e um cessar-fogo surge de facto no espaço de uma semana. A retaliação iraniana continua contida, causando danos suficientes para serem politicamente úteis internamente, mas não o suficiente para provocar uma contra-escalada decisiva por parte dos Estados Unidos. O Estreito de Ormuz sofre assédio, mas sem grandes perturbações, em parte porque as próprias exportações de petróleo de Teerão para a China dependem dele. O regime sobrevive enfraquecido ou fragmenta-se numa transição interna caótica”, antecipa o ING.

Neste cenário, para os mercados, tratar-se-ia do roteiro para Junho de 2025, ou seja, “um pico inicial do petróleo, que diminui à medida que os receios de perturbação em Ormuz se dissipam. Um prémio de risco de guerra temporário, sem implicações macroeconómicas duradouras”.

RELACIONADO

Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.