“Iniciativa ‘uma faixa, uma rota’ pode ser novo Plano Marshall sem guerra”, diz Alberto Carvalho Neto

O empresário considera que Portugal “não pode perder a onda” de investimento chinês e deve procurar estreitar ligações com o país e a lusofonia, através da região administrativa de Macau.

O diretor geral adjunto da Be Water, Alberto Carvalho Neto, afirmou esta segunda-feira que o projeto chinês “uma faixa, uma rota” pode ser o “novo Plano Marshall sem guerra”. O empresário considera que Portugal “não pode perder a onda” de investimento chinês e deve procurar estreitar ligações com o país e a lusofonia, através da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM).

“O projeto ‘uma faixa, uma rota’ é um projeto enorme, que podemos ambicionar que seja um plano Marshall sem guerra. Este é um projeto que nos permite olhar para o futuro e pensar que a China, ao investir em vários países, ambiciona um equilíbrio a nível económico e trabalhar na paz e conduzir ao reforço económico”, afirmou Alberto Carvalho Neto, no seminário de comunicação e cooperação financeira da iniciativa “Faixa e Rota”, promovido pelo Bank of China.

Alberto Carvalho Neto disse que a China tem “muito interesse” em investir em Portugal e nos países de língua portuguesa, mas falta às empresas com sede nestes países “uma visão estratégica para o longo prazo”. Para o empresário português, essa estratégia passa por usar a região de Macau como “ponte” para atrair investimento chinês na lusofonia (e vice-versa).

“Sendo Portugal gourmet da Europa, há algum investimento no setor agrícola e também no setor têxtil e de calçado”, diz o diretor geral adjunto da Be Water, entidade gestora de várias concessões de água e saneamento, que presta serviços de operação e manutenção para outras empresas.

Num painel que contou também com a presença de representantes de grandes empresas chinesas, Pedro Rebelo de Sousa, sócio executivo e fundador da sociedade de advogados SRS, defendeu que um reforço da cooperação entre Portugal e a China é “estrutural” para o país e acusou as instituições europeias de falou de “hipocrisia”, no que toca ao investimento chinês.

“A China veio suprir o problema da ausência de investimento daqueles que mais a criticam, que são os europeus. Em determinados setores, o investimento chinês tem um significado extremamente complexo para a Europa, mas que se enquadra em boa governance“, afirmou Pedro Rebelo de Sousa, salientando que, em Portugal, a ausência de capitais é “um problema estrutural”.

Wuni Muga, representante da sucursal de Londres da agência seguradora de créditos a exportações, sublinhou também que o projeto chinês ‘uma faixa, uma rota’ “não é uma iniciativa de confrontação” e afirmou que o apoio prestado pela entidade que representa a países de língua portuguesa tem aumentado a um ritmo substancial, atingindo cerca de 10 mil milhões de euros.

Já o presidente da Fosun em Portugal, Xu Lingjiang, acredita que a cooperação entre Portugal e a China entrou numa segunda fase, depois de ter conseguido “bons resultados” numa altura difícil para o país. “demos toda a ajuda que podíamos ter dado”, afirmou.

Xu Lingjiang sublinhou, no entanto, que “a economia portuguesa precisa de uma transformação”. “Tem de aumentar a sua capacidade de suporte”, defendeu, acrescentando que é necessário uma maior cooperação entre os dois países e triangulação com os restantes países da lusofonia.

O presidente do Bank of China, Xiao Qi, destacou também as potencialidades da cooperação entre Portugal e Espanha e afirmou que os seus clientes estão no setor da energia, infraestruturas, e imobiliário. Xiao Qi adiantou ainda que, numa próxima fase, é da intenção do Bank of China cooperar com bancos locais.

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