Instituições de ensino e formação procuram combinação virtuosa entre presencial e online

Na mesa redonda do JE sobre Os Desafios da Formação em Portugal, esta sexta-feira, Manuel Fontaine, diretor da Escola do Porto da Faculdade de Direito da Universidade Católica, e Jorge Conde, presidente do Politécnico de Coimbra, revelam como estão a preparar o próximo ano letivo. Jorge Lopes, diretor da Rumos Formação, diz ter a expectativa de que as empresas portuguesas voltem a investir em formação e a Rumos está preparada para responder.

O próximo ano letivo já está a ser preparado pelas instituições de ensino superior. Também as empresas de formação apontam baterias à rentrée. A expectativa é de que o arranque em setembro se faça num clima de normalidade, mas também de mudança. A pandemia da Covid-19 acelerou a digitalização do sector da educação que está agora mais ágil, um caminho que as instituições vão continuar a aprofundar.

“No próximo ano perspectivamos uma oportunidade de implementar com mais tranquilidade o modelo do ensino combinado, mantendo uma componente online ao mesmo tempo que uma componente presencial e testando a fórmula mais adequada de combinação entre um e outro”, revela Manuel Fontaine, Diretor da Escola do Porto da Faculdade de Direito da Universidade Católica.

“Para já – adianta – estamos a apostar na proporção de um terço online, dois terços presencial. Veremos se é a mais adequada”. A Escola vai procurar chegar à “combinação mais virtuosa” entre o online e o presencial, quer nos cursos, quer nas diferentes cadeiras de cada curso.

“A nossa convicção é de que o ensino combinado nos cursos conferentes de grau será a fórmula do futuro”, diz Manuel Fontaine, destacando as virtualidades do ensino a distância que a Faculdade vai aproveitar já em 2021/22.

Manuel Fontaine falava esta sexta-feira, 30 de julho, na mesa redonda do Jornal Económico sobre Os Desafios da Formação em Portugal, na qual participaram igualmente  Jorge Lopes, Diretor da Rumos Formação, que, entre outras, inclui marcas conhecidas, como Rumos, Flag e Galileu, e Jorge Conde, presidente do Instituto Politécnico de Coimbra.

“Estamos a preparar o próximo ano letivo numa perspetiva muito presencial, mas assegurando que há uma parte que foi para o online e lá vai ficar, nomeadamente no que diz respeito à formação pós-graduada”, revela Jorge Conde.

O Presidente do Politécnico de Coimbra adianta também que no futuro pós-pandémico, os cursos pós-graduados e os  mestrados que não exigem uma componente tão prática vão ficar tendencialmente online. Nas licenciaturas, a perspetiva é de que  aconteça o inverso, ou seja, poderá haver uma fatia entre 20%-25% que será online, nomeadamente a que respeita às cadeiras comuns a todos os cursos.

Jorge Lopes, Diretor da Rumos Formação, diz, por seu turno: “tudo aquilo que criámos de novo vai ser desenvolvido para ser com formação remota ou com formação presencial”. Explica que no primeiro confinamento verificou-se talvez uma maior procura em áreas relacionadas com o ensino e com a formação à distância.

No caso da Galileu, em concreto, em que  a oferta é sobretudo na  área comportamental, a procura de formação visou essencialmente mitigar os efeitos da pandemia na área empresarial, mas esta fase já passou. E agora? ”Diria que as organizações e as pessoas já estão habitadas, estão confortáveis com este modelo. Há situações em que preferem eventualmente a formação presencial porque há dinâmicas que não são tão fáceis de recriar a distância”.

Jorge Lopes lembra que há uma série de pessoas que ficaram desempregadas e que o país está a sofrer as consequências da pandemia. “Há um processo de transformação, de modernização e de adequação das empresas a esta nova realidade que vai exigir formação. É mais nesse sentido que acho que vamos intervir do que propriamente naquilo que tem a ver com o facto de estarmos em remoto a trabalhar, ou a estudar ou a ter formação”.

Os modelos de formação não vão voltar a ser aquilo que eram antes da pandemia da Covid-19, mas há a expectativa de que as empresas voltem a investir em formação. “Espero que no próximo ano possamos ter um regresso à normalidade em que as pessoas possam ter tempo e as empresas meios para podermos ter uma atividade formativa próxima daquilo qu00e acontecia em 2019”, conclui.

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