O mais recente estudo desenvolvido pela KPMG na área da banca – “Alliance or obsolescence: How banks can win with an AI-driven ecosystem” [Aliança ou obsolescência: Como os bancos podem vencer com um ecossistema orientado pela IA] – conclui que a próxima grande transformação do setor bancário será impulsionada pela Inteligência Artificial e por ecossistemas de parcerias estratégicas.
Isto significa que os bancos vão deixar de ser instituições isoladas, passando a integrar ecossistemas de parceiros (tecnológicas, fintechs,
universidades, startups) para o desenvolvimento de competências e na implementação de soluções de IA.
Segundo o estudo, o impacto da Inteligência Artificial no setor bancário e o papel das parcerias neste mesmo setor serão ambos decisivos na definição da próxima vaga de transformação da banca.
O estudo diz, olhando para o futuro, que inteligência artificial (IA) no setor bancário depende da integração perfeita de tecnologias avançadas através de parcerias estratégicas. O maior valor pode ser gerado através da criação de uma rede dinâmica de conhecimentos, capacidades e recursos especializados — alguns dos quais podem nem sequer ser humanos. Por outras palavras, a própria IA pode ser considerada um elemento do ecossistema de parceiros, que inclui também fornecedores de tecnologia, orquestradores de plataformas, especialistas em integração e até instituições académicas.
Mais do que a importância desta tecnologia, o estudo aponta para uma mudança estrutural do modelo bancário, com impactos diretos na competitividade, no risco de desintermediação por big tech e na própria forma como os bancos criam valor económico.
Os bancos já não deverão depender apenas das suas capacidades internas para crescer e inovar e, para responder às expectativas dos clientes que exigem experiências mais rápidas, simples e personalizadas, a KPMG defende a criação de ecossistemas de parceiros compostos por empresas fintechs, fornecedores de tecnologia, plataformas de cloud, especialistas em cibersegurança, consultoras e instituições académicas.
“A Inteligência Artificial deixou de ser um tema experimental para se tornar num fator decisivo que ditará o futuro da competitividade no setor bancário. Os bancos que não conseguirem construir ecossistemas de parceria em torno desta tecnologia arriscam-se a perder a sua relevância, tanto junto dos clientes como no próprio mercado”, alerta Rui Gonçalves Head of Technology Consulting da KPMG em Portugal.
O cenário traçado pelo estudo significa para a banca em Portugal que quem está mais preparado para esta transição ganha ao mesmo tempo que alerta para riscos reais de “obsolescência” para quem não acompanhar esta mudança.
De acordo com um outro estudo para o mesmo setor – o Banking Technology Survey edição de 2025 – 74% dos executivos bancários afirmam que pensam em expandir as suas redes de parceiros nos próximos um a três anos, e mais de metade está a explorar novos tipos de alianças para acelerar a inovação, ganhar escala e chegar a novos segmentos de clientes.
“74% dos executivos bancários pretendem expandir as suas redes de parceria nos próximos 1 a 3 anos”
O Banking Technology Survey diz que embora a utilização da Inteligência Artificial na banca esteja hoje concentrada, sobretudo, em tarefas de back-office – como, por exemplo, na automação de processos, na detecção de fraude, na monitorização de compliance e na previsão financeira – 70% dos líderes bancários nos Estados Unidos, já reportam poupanças significativas de custos resultantes da implementação desta tecnologia nos seus ecossistemas.
“Há 70% dos banqueiros executivos nos EUA que já reportam poupanças significativas com a utilização da Inteligência Artificial, sobretudo em back-office”
A KPMG alerta que o verdadeiro potencial está ainda por concretizar, sendo por isso necessário trazer a Inteligência Artificial para a área de front-office, por forma a melhorar a experiência do cliente e desenvolver novos produtos e serviços.
Uma das áreas onde a mudança será mais visível é ao nível dos pagamentos. Atualmente, e segundo o relatório “Alliance or obsolescence: How banks can win with an AI-driven ecosystem”, apenas 6% dos bancos utilizam soluções de pagamento baseadas nesta tecnologia, mas este valor deverá chegar aos 58% no espaço de um ano.
“Apenas 6% dos bancos utilizam hoje a Inteligência Artificial nos pagamentos, mas esse número deverá chegar aos 58% no espaço de um ano”
Segundo a KPMG, esta tendência surge “num contexto em que as empresas tecnológicas e os grandes retalhistas estão a entrar no espaço financeiro, oferecendo experiências digitais integradas e altamente convenientes”.
“Do lado dos clientes, há também recetividade para esta transformação: segundo o estudo em análise, 54% dos consumidores afirmam que gostariam que o seu banco utilizasse os seus dados para lhes oferecer experiências mais personalizadas, desde recomendações de produtos até à prestação de um apoio mais proativo e focado na gestão financeira.
Para a KPMG, esta realidade reforça a necessidade de investir em ferramentas de personalização suportadas em Inteligência Artificial e em parcerias que tragam dados, modelos e capacidades analíticas mais avançadas”, acrescenta a KPMG.
“54% dos consumidores estão disponíveis para que os bancos utilizem os seus dados por forma a garantir experiências mais personalizadas”
Em paralelo, a KPMG alerta para a necessidade de equilibrar a inovação e gestão de risco, destacando cinco prioridades no seu estudo.
A primeira consiste em reforçar a gestão de risco de terceiros A segunda passa por alinhar práticas de cibersegurança com parceiros, melhorar a governação e qualidade dos dados. A quarta diz respeito a acompanhar de perto a evolução regulatória (incluindo o novo enquadramento europeu em matéria de Inteligência Artificial), e a quinta passa por estabelecer protocolos de compliance e de auditoria específicos para sistemas baseados nesta tecnologia.
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