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Início de semana pouco volátil, mas investidores renovam apostas num terceiro corte nas taxas de juro da Fed

A divulgação das atas da reunião de janeiro da Reserva Federal vai dar algum sentido aos investidores, que apostam agora numa nova descida das taxas de juro, depois de terem sido conhecidos os dados do emprego e da inflação.
18 Fevereiro 2026, 07h00

A semana começou a meio gás, com as bolsas dos Estados Unidos, China e Canadá fechadas devido a feriados nacionais. Contudo os índices europeus conseguiram voltar aos ganhos, depois de terem fechado a semana com perdas.

Com tantas interrupções, a primeira sessão da semana foi pouco volátil e sem variações impactantes. Apesar da inação dos primeiros dias, ao longo da semana “a atenção dos investidores deverá centrar-se na divulgação das atas da Fed e em vários discursos de responsáveis do banco central, que poderão ajustar as expectativas quanto à trajetória da taxa de referência dos EUA. Alguns indicadores macro relevantes, sobretudo nos EUA e na Europa, serão também avaliados para aferir a solidez do crescimento económico e a persistência das pressões inflacionistas”, revela Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe.

Esta quarta-feira vão ser divulgadas as atas da reunião de janeiro da Fed, “que poderão oferecer maior clareza quanto à trajetória provável dos cortes de taxas da Fed. O mesmo se aplica à publicação do índice de preços PCE, a medida de inflação preferida da Fed, com divulgação prevista para sexta-feira. Ambas as divulgações têm potencial para moldar as expectativas do mercado, que atualmente apontam para entre dois e três cortes de taxas em 2026, influenciando o desempenho do dólar norte-americano e, por sua vez, os preços do ouro, tendo em conta a correlação inversa entre os dois ativos”, refere Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe.

A semana de 13 de fevereiro terminou com a divulgação dos dados da inflação norte-americana, que abrandou para 2,4% em janeiro, face aos 2,7% registados em dezembro. A inflação em cadeia também desacelerou para 0,2%.

Os valores ficaram abaixo das espectativas dos analistas, e juntamente com os dados, já divulgados, do emprego, aumentaram a probabilidade da Reserva Federal (Fed) baixar as taxas de juro. “Antes da divulgação destes dados, o cenário base dos investidores apontava para dois cortes de 25 pontos base em 2026. Imediatamente após a publicação, registou-se um aumento das apostas num terceiro corte, que, entretanto, já apresenta uma probabilidade próxima dos 50%”, afirma Ricardo Evangelista.

O analista salienta ainda que “depois da publicação dos dados da inflação, o dólar registou ligeiras perdas face às principais divisas, enquanto as yields da dívida soberana recuaram ligeiramente, refletindo expectativas de que a política monetária da Fed se torne ainda mais dovish, num contexto em que a inflação se aproxima do objetivo de 2%”.

Durante a semana o dólar continuou a limitar as subidas do ouro, tendo o ouro chegado a níveis ligeiramente abaixo dos 5.000 dólares. “O metal precioso tem estado sob pressão na sequência da recente recuperação do dólar norte-americano, que se valorizou face às restantes principais moedas após a divulgação de dados do emprego nos Estados Unidos acima do esperado”, revela o investidor.

“O fortalecimento do dólar cria um obstáculo ao metal precioso, devido à correlação inversa entre os dois ativos, limitando o potencial de subida dos preços do ouro”, explica.

A inteligência artificial (IA) continua a pressionar os mercados, tendo na quinta-feira os índices norte-americanos caído. “O gatilho foi o anúncio de uma nova ferramenta de inteligência artificial da Algorithm Holdings, que promete ganhos de eficiência dramáticos no setor dos transportes. As ações da empresa dispararam 30%, mas as quedas generalizadas nas transportadoras pressionaram os índices, com o S&P 500 a encerrar a sessão com uma descida de 100 pontos”, afirma Henrique Valente.

“O contágio chegou aos metais preciosos, onde ouro e prata permanecem voláteis. A correlação entre classes de ativos tem aumentado este ano, deixando os investidores mais cautelosos face a eventos de risco”, revela.


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