Iogurte rico em ómega 3 nasce de parceria entre U.Porto e IPMA

Estudo desenvolvido pelo Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto em parceria com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera afirma a “viabilidade da criação de um alimento funcional inovador. O iogurte magro enriquecido em microalga promete ser uma alternativa futura ao peixe rico em ómega 3.

Narcisa Bandarra trabalha todos os dias alimentada pelo propósito de produzir alimentos que contribuam para a saúde humana. Vê agora os frutos desse empenho. A investigadora do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto lidera uma equipa que, em parceria, com investigadores do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), fez nascer um iogurte enriquecido em ácidos gordos ómega 3.

“A inovação pode trazer ao mercado um alimento funcional cujo consumo garante uma elevada parcela das necessidades dos nossos organismos em matéria de ácidos gordos ómega 3 e, em especial, de ácido docosahexaenóico (conhecido como DHA)”, explica ao JE Universidades.

O que a equipa de Narcisa Bandarra fez foi incorporar microalga com alto teor em ómega 3 no iogurte. Por fora, o produto mantém o aspeto e a textura do iogurte natural, por dentro apresenta um alto teor em ómega 3 graças à inclusão dessa microalga rica em DHA, um ácido gordo bioativo com benefícios para a saúde cardiovascular e neurológica.

Os ácidos gordos ómega 3 obtêm-se, em geral, pelo consumo de peixe, sobretudo salmão, atum e sardinha, um recurso que, nalguns casos, está sobre-explorado. Daí, salienta a investigadora, o interesse em procurar utilizar fontes alternativas. É o caso de algumas microalgas, as quais têm a capacidade de o sintetizar.

O desafio, explica-nos, “consiste em selecionar microalgas adequadas, incorporá-las em alimentos como o iogurte e garantir uma elevada assimilação destes ácidos gordos ómega 3 após digestão do iogurte”.

Os investigadores conseguiram demonstrar que uma quantidade de 125 ml por dia do referido iogurte funcional, o que é tido como uma frequência de consumo realista, contribui com um terço para as referidas necessidades, já considerados os níveis de assimilação efectivos.

Estes resultados são, assim, um contributo inestimável para a saúde, principalmente a nível cardiovascular e neuronal. Além disso, a formulação de alimentos ricos em DHA proveniente de fontes alternativas ao peixe representa um contributo para a sustentabilidade da humanidade no planeta, que, em 2025, deverá atingir os 10 biliões de pessoas, com todas as consequências e desafios de grande escala que isso representa.

 

Estudo
Os suplementos alimentares de DHA oriundos de algas com o objetivo de suprir as lacunas nutricionais das populações com dietas alternativas ou deficitárias neste nutriente não são novos. Porém, segundo a investigadora, pela primeira vez, é utilizada a microalga Aurantiochytrium sp. como nutracêutico na preparação de um alimento funcional, neste caso um iogurte, com alto teor de DHA.

O estudo dos investigadores do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto e do Instituto Português do Mar e da Atmosfera tem como ponto de partida o reconhecimento do “extraordinário potencial nutricional do microalga Aurantiochytrium sp., em particular, a sua riqueza em DHA”, o tal ácido gordo bioativo com reconhecidos benefícios para a saúde cardiovascular e neurológica, “atingindo teores de mais de 25 % na biomassa seca”.

Publicado na revista “Food & Function”, o estudo “The development of a novel functional food: bioactive lipids in yogurts enriched with Aurantiochytrium sp. Biomass”, mostra a “viabilidade da criação de um alimento funcional inovador preparado a partir de iogurte magro, com características sensoriais aceitáveis e alto teor em DHA, através da incorporação de apenas 2 % p/p da biomassa da microalga Aurantiochytrium sp.”

Narcisa Bandarra, diz ao JE Universidades que estudos futuros permitirão “compreender a melhor maneira de aumentar a ingestão de DHA com a mesma porção de iogurte através da exploração de formas de atingir maior bioacessibilidade lipídica no novo alimento”.

Para já, o caminho foi aberto e promete ser promissor.

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