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Irão: Donald Trump diz que “a ajuda está a caminho”

O presidente dos Estados Unidos incitou os manifestantes a “tomarem o controlo” das instituições, ao mesmo tempo que promete que a ajuda norte-americana vai a caminho, sem especificar que tipo de ajuda será.
13 Janeiro 2026, 18h46

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu aos iranianos que continuem a protestar nas ruas e prometeu que a ajuda está a caminho, sem dar detalhes sobre o que poderá ser essa ajuda. No Irão, a cúpula do poder teocrático intensificou a repressão contra as manifestações. “Patriotas iranianos, CONTINUEM A PROTESTAR – OCUPEM AS INSTITUIÇÕES!!!… A AJUDA ESTÁ A CAMINHO”, disse Trump nas redes sociais, acrescentando que havia cancelado todas as reuniões com autoridades iranianas até que o “assassinato sem sentido” de manifestantes acabe. Desta forma, o presidente dos Estados Unidos não atendeu aos pedidos de negociação que lhe chegaram do regime iraniano – dando mostras de ter deixado de ter paciência com os teocratas que entrincheiraram o regime por trás de uma repressão dos costumes medieval e um controlo do nível de vida que deixou milhões de iranianos no limiar da pobreza a partir de 1979.

A onda de protestos, desencadeada pela grave situação económica decorrente da forte depreciação da moeda, representa o maior desafio interno para os governantes do Irão nos últimos anos e ocorre num momento de crescente pressão internacional após os ataques israelitas e norte-americanos do ano passado.

Na sequência da publicação do presidente dos Estados Unidos, o chefe de segurança iraniano, Ali Larijani, recorrendo igualmente às redes sociais, que Trump e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, são os “principais assassinos” do povo iraniano, esquecendo talvez que quem empunha as armas são os corpos militares ou militarizados da segurança interna iraniana. O número de mortos continua – perante o silêncio das autoridades competentes – a ser de contagem arriscada. Até esta terça-feira, corriam notícias de que podiam estar próximos dos 600, mas um funcionário iraniano citado pelas agências Reuters fala em duas mil pessoas, sendo esta a primeira vez que as autoridades divulgaram um número. O grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos Estados Unidos, confirmou o número. A organização também avançou que 16.784 pessoas foram detidas, um aumento significativo em relação ao número divulgado na segunda-feira passada.

Na noite de segunda-feira, Trump anunciou tarifas de importação de 25% sobre produtos de qualquer país que faça negócios com o Irão — um dos principais exportadores de petróleo do mundo. E deixou claro que ações militares estão entre as opções que está a considerar para punir o Irão pela repressão dos manifestantes.

Até ao final da tarde de terça-feira, Teerão ainda não se tinha manifestado sobre o anúncio das tarifas feito por Trump, mas a medida foi prontamente criticada pela China. O Irão, já sob pesadas sanções americanas, exporta grande parte do petróleo para a China, tendo como outros principais parceiros comerciais a Turquia, o Iraque, os Emirados Árabes Unidos e a Índia.

O ministro das Relações Exteriores do Irão, Abbas Araqchi, disse que mantém uma linha de contacto aberta com o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff e que Teerão está a estudar ideias propostas por Washington. Mas pode bem ser que seja tarde demais.

Também a Rússia condenou esta terça-feira o que descreveu como “interferência externa subversiva” na política interna do Irão, afirmando que qualquer repetição dos ataques norte-americanos do ano passado teria “consequências desastrosas” para o Médio Oriente e para a segurança internacional.

Reino Unido, França, Alemanha e Itália convocaram os embaixadores iranianos em protesto contra a repressão. “As ações brutais do regime iraniano contra o seu próprio povo são chocantes”, disse o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha. Sublinhando a incerteza internacional sobre o futuro do Irão, país que tem sido uma das potências dominantes no Médio Oriente desde há décadas, o chanceler alemão Friedrich Merz afirmou acreditar que o governo cairá. “Presumo que estejamos agora a testemunhar os últimos dias deste regime”, disse, acrescentando que, se tem que se manter no poder pela violência, “está efetivamente no seu fim”.


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