Iraque aguarda que ExxonMobil venda participação em campo gigante perto de Basra

Se a ExxonMobil vender aos chineses a sua participação no gigantesco campo de West Qurna-1, as petrolíferas tuteladas por Pequim podem controlar 65,4% do icónico campo localizado perto de Basra.

A ExxonMobil pondera vender a sua participação no campo de petróleo West Qurna-1 do Iraque, perto de Basra, segundo informação do executivo iraquiano, mostrando que petrolífera gigante norte-americana está efetivamente disposta a sair de um dos seus maiores campos de petróleo do Oriente Médio, com o objetivo de reduzir as dívidas que acumulou em 2020. O mercado internacional sabe que as maiores petrolíferas chinesas estão interessadas em comprar, mas se isso acontecer, a China passará a controlar boa parte da produção petrolífera iraquiana, porque a PetroChina já detém 32,7% deste grande campo no Iraque. Juntamente com os 32,7% detidos pela ExxonMobil, os chineses podem ficar com 65,4% do gigantesco campo iraquiano.

Foi mesmo o Ministério do Petróleo do Iraque que admitiu internacionalmente que está em negociações com empresas dos EUA para avaliar potenciais interessados que viabilizem a aquisição da participação de 32,7% da ExxonMobil no campo petrolífero localizado ao sul do Iraque, perto da cidade de Basra. Os dois gigantes petrolíferos chineses – a China National Petroleum e a CNOOC – deram sinais de que estavam interessadas em comprar esta grande participação, embora as tensões geoestratégicas entre os EUA e a China não facilitem uma operação deste tipo.

Talvez por causa dos chineses terem “acenado” a que estariam interessados em ficar com uma participação tão relevante da gigante norte-americana no Iraque, até à data a ExxonMobil não fez comentários sobre qualquer estratégia de alienação de ativos no Iraque. O campo West Qurna-1 é icónico no sector porque é justamente um dos projetos mais mediáticos concretizados pela indústria petrolífera na fase de reconstrução do Iraque, logo após a Segunda Guerra do Golfo, onde a Exxon foi a principal empreiteira há precisamente onze anos, em 2010.

Termos contratuais “difíceis”, atrasos nos pagamentos, cortes na produção da OPEP e a instabilidade política reduziram o apelo da produção de petróleo iraquiana nos últimos anos. Além disso, a Covid-19 teve um impacto devastador nas finanças da ExxonMobil, fazendo com que a sua dívida disparasse para mais de 70 mil milhões de dólares (cerca de 58,41 mil milhões de euros).

As vendas de ativos serão fundamentais para a estratégia da ExxonMobil no sentido de conseguir reduzir a sua dívida – sobretudo para poder defender a manutenção de um dividendo anual de 15 mil milhões de dólares (cerca de 12,51 mil milhões de euros) –, o que, recentemente, se tornou mais viável, atendendo a que a cotação do petróleo Brent tem estado a subir, situando-se atualmente no patamar dos 66 dólares por barril, refletindo uma valorização de 29% ocorrida em 2021.

O campo iraquiano de West Qurna-1 é um dos maiores do mundo, com reservas de recuperação estimadas em mais de 20 mil milhões de barris, mas implica um elevado investimento para manter um débito de extração de petróleo muito competitivo, aguardando a concretização de um grande projeto de injeção de água, que já foi atrasado várias vezes. Refira-se que a Exxon reduziu os seus gastos anuais em cerca de 10 mil milhões de dólares (cerca de 8,34 mil milhões de euros) por ano até 2025, sabendo-se que preferirá focar a sua atenção nos seus projetos principais localizados na Guiana e na Bacia de Permian. Os restantes participantes no consórcio que explora o campo West Qurna-1 são a PetroChina com 32,7%, a japonesa Itochu, com 19,6%, e a indonésia PT Pertamina, com 10%.

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