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Israel: exportações sustentam a economia de guerra, mas não chegam

A dívida externa do Estado hebraico está a aumentar. As exportações também, mas surgem no horizonte sinais preocupantes de que alguma coisa está a mudar. O governo de Benjamin Netanyahu também se viu obrigado a aumentar os impostos.
Ronen Zvulun /Reuters
13 Agosto 2025, 19h27

O esforço de guerra israelita não está a matar apenas palestinianos: está também a “matar” a economia. A dívida externa de Israel aumentou para 149.817,10 milhões de dólares no primeiro trimestre de 2025, em comparação com 147.386,10 milhões no quarto trimestre de 2024, segundo dados coligidos pela Trading Economics.

No mesmo sentido, o défice comercial aumentou para 4,06 mil milhões de dólares em julho de 2025, acima dos 3,77 mil milhões do mesmo período do ano anterior. As importações subiram 11,5% para 9,32 mil milhões, impulsionadas por fortes ganhos em bens de consumo (20,4%), matérias-primas (19,6%), bens de investimento (18,1%) e diamantes brutos e trabalhados (45,7%). Em contraste, as importações de navios e aeronaves (menos 52,9%) e combustíveis (menos 44,6%) caíram acentuadamente.

As exportações subiram 14,7% para 5,26 mil milhões de dólares, apoiadas por maiores remessas de bens manufaturados e minerais (13,4%), produtos agrícolas (70,5%) e diamantes em bruto (239,8%). Ainda segundo a mesma fonte, nos primeiros sete meses de 2025, o défice comercial aumentou para 54,45 mil milhões, em comparação com os 51,35 mil milhões no mesmo período de 2024.

São, portanto, as exportações – a par com o aumento de impostos – que têm sustentado a economia de guerra. Neste contexto, continuam a merecer destaque as tecnologias. O setor emprega 12% da força de trabalho e paga cerca de 25% do imposto sobre os rendimentos, devido aos altos salários, segundo o banco de investimentos americano Jefferies. Os serviços e produtos de alta tecnologia representam 64% das exportações do país e cerca de 20% do PIB total.

No entanto, o número de funcionários do setor de alta tecnologia em Israel está estagnado desde 2022, segundo um relatório divulgado em abril pela Autoridade de Inovação de Israel. Em 2024, pela primeira vez em uma década, o número de funcionários locais no setor de alta tecnologia diminuiu, e o número de funcionários que deixaram o país aumentou, segundo o relatório. Alguns temem que impostos mais altos possam levar mais empresas ou trabalhadores que conseguem operar remotamente a sair do país – mas é preciso também contar com as incorporações no exército, que podem minar uma geração inteira de israelitas.

O imposto sobre o valor acrescentado para a maioria dos bens e serviços subiu de 17% para 18% no início do ano. A contribuição de saúde, deduzida do salário dos funcionários, também aumentou, assim como as contribuições para a segurança social. O resultado foi o que o governo de Benjamin Netanyahu esperava: em 2024, o PIB de Israel superou os 540 mil milhões de dólares, uma melhor prestação do que nos dois anos anteriores.

Estes valores têm levado os analistas a afirmarem que a economia israelita é mais resistente do que se poderia esperar numa fase de guerra – mas consideram que o impacto acabará por se fazer sentir. É por isso, dizem, que o governo de Netanyahu se mostrou tão sensível à possibilidade de a União Europeia suspender o comércio bilateral com o Estado hebraico – muito mais do que aquilo que aparentemente (pouco) o preocupou a suspensão da venda de armas por parte da Alemanha: afinal, o mercado de armamento é muito grande. Em 2024, os gastos em armamento cresceram 65% em relação ao ano anterior e atingiram 46,5 mil milhões de dólares.

A União Europeia é o maior parceiro comercial de Israel, representando aproximadamente 32% do seu comércio total de mercadorias em 2024, de acordo com o Eurostat. Nesse ano, 34,2% das importações de Israel provinham da União, enquanto 28,8% das exportações do país se destinavam ao bloco. O comércio total de mercadorias entre a UE e Israel em 2024 ascendeu a 42,6 mil milhões de euros, com a União a exportar 26,7 mil milhões de euros de mercadorias para Israel. As exportações do bloco para Israel foram dominadas por máquinas e equipamentos de transporte (43%), seguidas por produtos químicos (18%) e outros produtos manufaturados (11,7%).

Em maio de 2025, as exportações de Portugal para Israel totalizaram 28,6 milhões de euros, enquanto as importações foram de 8,91 milhões, resultando em um saldo comercial positivo de 19,7 milhões para Portugal. Entre maio de 2024 e maio de 2025, as exportações de Portugal para Israel aumentaram 12,6%, e as importações cresceram 23,4%.


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