Israel: Netanyahu tenta apoios para a eleição direta do primeiro-ministro

O ainda primeiro-ministro não desiste de ‘inventar’ cenários para se manter no poder. Desta vez, está a tentar encontrar apoio para a eleição direta do primeiro-ministro.

REUTERS/Dan Balilty

Ao cabo de mais um mês de impasse político em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu está a tentar um novo cenário: encontrar apoios para a realização de novas eleições, mas desta vez diretas – ou seja, os israelitas seriam convidados a votar em nomes (ou nos partidos que os indicassem) para preencherem o lugar. Quem ganhasse, seria primeiro-ministro.

Segundo a imprensa israelita, Netanyahu já falou com líderes do partido islâmico Ra’am, da coligação Azul Branca (com quem ainda está coligado no governo interino), com os Trabalhistas e com o Meretz, ou seja, com o lado esquerdo do Knesset, o parlamento judaico.

Benjamin Netanyahu falou nos últimos dias com Mansour Abbas, presidente do partido islâmico Ra’am, pela primeira vez desde as eleições de março, e ligou para os outros líderes dos partidos de centro e esquerda com lugares no Knesset.

O objetivo de Netanyahu é angariar apoio para a realização de eleições diretas para primeiro-ministro – uma proposta que surge depois de ter falhado todas as tentativas de formar um governo. Uma delas passou pela formação de um governo de direita que pudesse contar com o suporte parlamentar do Ra’am, mas a ideia foi categoricamente rejeitada pelo partido da extrema-direita ligados ao sionismo religioso.

A nova alternativa de Netanyahu tem, de qualquer modo, de esperar: é que o chamado ‘bloco de mudança’, liderado pelo presidente do partido Yesh Atid, Yair Lapid, está a tentar formar um governo, recorrendo também, precisamente, ao apoio do partido islâmico israelita. Mesmo assim, e a ver pelos dados das eleições das últimas décadas, uma eleição direta do primeiro-ministro dificilmente retiraria a vitória a Benjamin Netanyahu – pelo que o apoio do centro-esquerda a uma solução do género não parece passar de uma quimera.

Outro cenário passa pela formação de um governo de direita e extrema-direita liderado pelo partido Yamina, de Naftali Bennett, mas sem a presença do Likud de Netanyahu – uma formação de “unidade nacional”, como diz, que poderia ter o apoio ou ao menos a não oposição do centro-esquerda, que assim veria surgir um gabinete sem a presença de Netanyahu. Mas não é nesta altura certo que todos os partidos de direita aceitem estar presentes num executivo que tenha o Likud como oposição.

 

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