Jerónimo Martins lucra 361 milhões de euros em 2020, menos 16,6% que em 2019

As vendas consolidadas da Jerónimo Martins, presidida por Pedro Soares dos Santos, cresceram 3,5% em 2020, para 19,3 mil milhões de euros, ou seja, mais 6,7% a taxas de câmbio constantes, com um like for like de 3,5%, segundo informação do grupo prestada à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

Os resultados líquidos do Grupo Jerónimo Martins em 2020 – excluída a aplicação das normas da IFRS16 – atingiram 361 milhões de euros, ficando 16,6% abaixo do ano anterior, informa um comunicado do grupo enviado à Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários (CMVM). Com a IFRS16, os resultados líquidos cifraram-se em 312 milhões de euros, 19,9% abaixo de 2019, adianta o mesmo comunicado, referindo que “o EPS é de 0,50 euros por ação. Excluindo outras perdas e ganhos (não usuais), o EPS foi de 0,55 euros, 12,6% abaixo do ano anterior”, esclarece o comunicado.

As vendas consolidadas da Jerónimo Martins cresceram 3,5% para 19,3 mil milhões de euros (mais 6,7% a taxas de câmbio constantes) com um like for like (LfL) de 3,5% – o LfL é o indicador do sector que compara o mesmo parque de lojas em operação durante períodos distintos, retirando da análise os encerramentos e as aberturas de novas unidades. No quatro trimestre, as vendas cresceram 2,4% para 5,1 mil milhões de euros (mais 6,8% a taxas de câmbio constantes), informa a JM no comunicado enviado à CMVM.

O EBITDA do Grupo JM, excluindo a IFRS16, cifrou-se 1.024 milhões de euros. Com a IFRS16, o EBITDA registou uma redução de 1,0% (ou de mais 1,9%, a taxas de câmbio constantes) para 1.423 milhões de euros, adianta a JM. No quarto trimestre de 2020 o EBITDA cresceu 1,6% (mais 6,2%, a taxas de câmbio constantes) para 394 milhões de euros, refere o comunicado.

Na rede polaca da Biedronka, o EBITDA cresceu 5,7% (mais 9,3% em moeda local), refere a empresa, adiantando que a respetiva margem foi 9,3% versus 9,4% em 2019. No quarto trimestre de 2020, o EBITDA cresceu 5,6% (mais 10,9% em moeda local) com a margem de 9,5%, em linha com o quarto trimestre de 2019, informa o Grupo JM. Na distribuição em Portugal, o EBITDA do Grupo JM reduziu 21,0%, refere o comunicado. A margem foi 5,4% (o que compara com 6,5% em 2019), adianta o mesmo comunicado.

No quarto trimestre de 2020, o EBITDA caiu 20,1% e a margem foi 5,3% (comparada com 6,4% no quarto trimestre de 2019). Na rede da Colômbia, a Ara, o EBITDA reduziu as perdas de -28 milhões de euros para -20 milhões de euros em 2020, o que traduziu uma melhoria de 18,9% em moeda local. No quarto trimestre de 2020, o EBITDA foi de 2 milhões de euros versus -3 milhões de euros no quarto trimestre de 2019, refere o Grupo JM.

O cash flow do Grupo JM em 2020 foi de 516 milhões de euros, versus 494 milhões de euros gerados em 2019, e a posição líquida de caixa ascendeu em 2020 a 509 milhões de euros (o que compara com 196 milhões de euros em 2019). Incluindo as responsabilidades com locações operacionais capitalizadas, a dívida líquida atingiu 1.752 milhões de euros, refere ainda o comunicado, detalhando que o pré-tax ROIC, calculado sem aplicação da IFRS16, atingiu 29,7%, sendo que, com a IFRS16, o pre-tax ROIC foi de 16,5% (16,3% em 2019).

O grupo presidido por Pedro Soares dos Santos informou igualmente que o Conselho de Administração irá propor à Assembleia Geral de Acionistas a distribuição de 50% dos resultados líquidos (sem IFRS16), correspondendo ao pagamento de um dividendo de 181 milhões de euros, equivalente a 0,288 euros por ação (em valor bruto), conclui o comunicado.

“Forte desempenho operacional no quarto trimestre, com a Biedronka a crescer resultados a dois dígitos e a Ara a melhorar substancialmente o seu EBITDA”, marcaram os resultados do Grupo JM em 2020, sendo que, em Portugal, “os resultados do Pingo Doce e do Recheio foram pressionados pelo investimento acrescido em margem para mitigar o impacto das restrições introduzidas e, assim, proteger as propostas de valor”, comenta o Grupo JM.

“Num ano marcado por uma exigência sem precedentes espoletada pela pandemia de Covid-19, o Grupo JM registou um sólido desempenho operacional e reforçou o seu balanço”, referoi o CEO do Grupo JM, Pedro Soares dos Santos.

“Foi um ano de verdadeira superação por parte das nossas equipas, em especial daquelas que, trabalhando nas lojas e nos centros de distribuição, estiveram na linha da frente das operações. A todas as nossas pessoas deixo, uma vez mais, uma nota de especial reconhecimento. Soubemos estar à altura das difíceis circunstâncias, conscientes do papel social que o nosso negócio assume e firmes na nossa missão de disponibilizar aos nossos clientes soluções e bens alimentares de qualidade a preço baixo. E fizemo-lo, respeitando todos os stakeholders e progredindo nos nossos compromissos com os objectivos de desenvolvimento sustentável”, refere Pedro Soares dos Santos.

“Nunca, como em 2020, nos sentimos tão chamados a estar próximos dos nossos consumidores, das nossas pessoas, dos nossos fornecedores, em especial dos pequenos produtores do sector primário e das comunidades que os nossos negócios servem. Desde o primeiro momento, procurámos responder aos múltiplos desafios que se colocavam aos nossos negócios ao mesmo tempo que tomávamos a iniciativa de apoiar os esforços onde era mais necessário: junto dos hospitais e lares de idosos, no financiamento à investigação e nas ajudas alimentares”, refere o CEO.

“Entrámos em 2021 com a confiança renovada na capacidade de cada insígnia antecipar os impactos da crise pandémica que continua, e continuará, a marcar o contexto operacional, com maior intensidade na primeira metade do ano. Olhando para a frente, sentimo-nos capazes, apesar dos desafios acrescidos, de continuar a crescer de forma rentável e sustentável. A força do nosso balanço permite-nos mantermo-nos fiéis à nossa visão de longo prazo, enquanto levamos a cabo as ações necessárias para garantir a competitividade e a preferência dos consumidores e para proteger a rentabilidade em todas as nossas insígnias”, conclui Pedro Soares dos Santos.

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