Secretário de Estado da Educação diz que essência de ensinar passa por “estar face a face, acompanhado por dispositivos”

João Costa considerou, na Web Talk “Educação”, promovida pelo Jornal Económico e pela Huawei, que o pior aspeto da pandemia foi o acelerar das desigualdades no contexto educativo. O melhor? Acelerar as competências digitais.

A meta é clara e deve ser atingida em complementaridade. Isso mesmo afirmou esta terça-feira, 14 de julho, João Costa, secretário de Estado Adjunto e da Educação, na Web Talk “Educação”, promovida pelo Jornal Económico e pela Huawei Portugal: “O desejável é que nós consigamos aquele que era o nosso objetivo que é não termos uma relação disjuntiva digital ou presencial, mas sim aquilo que é a essência de educar: estar face a face, lado a lado, acompanhado por dispositivos e por recursos que são muito mais ricos do que as meras páginas de um manual igual para todos”.

João Costa começou por esclarecer que a transição digital é independente do contexto que se vive atualmente, referindo que estava na agenda do Governo e a ser executada. Necessária na educação e na sociedade, em geral, viu-se “enormemente acelerada” pela pandemia da Covid-19 que obrigou a encerrar escolas em que se tentou ao máximo ter algum serviço educativo feito a distância.

Lembrou que foi muito focada a questão de disponibilidade de equipamentos e da conetividade para as crianças e para os jovens, mas o processo é muito mais do que isso: “É a competência digital, é a capacitação dos profissionais, é também perceber todos aqueles momentos em que nada substitui o ensino presencial”.

Confessando ter enormes dificuldades em ver aspetos positivos nesta pandemia, a não ser “este acelerar de competências digitais, de algumas novas formas de interação entre  professores e alunos, mas sempre com o cuidado de não nos deslumbrarmos”, o secretário de Estado colocou o dedo na ferida ao eleger o aspeto mais negativo desta experiência. “Foi, sem dúvida, o enorme acelerar das desigualdades em contexto educativo. Temos infelizmente um sistema educativo que é muito dependente do contexto sócio-económico”, que é o grande indutor de sucesso. Nesta situação a distância essas desigualdades viram-se aceleradas com grande prejuízo em termos de aprendizagens para os alunos mais novos, para os alunos mais vulneráveis”.

No final, sintetizou: “Isto não é apenas sobre máquinas, não é apenas  sobre conetividade. Isto é sobre a apropriação de diferentes metodologias de ensino, também sobre a utilização de recursos digitais, de conteúdos digitais que podem ser muito mais abrangentes e muito mais estimulantes. Quando falamos de estímulos, temos de falar também destas novas tecnologias.“

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